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PSD quer Santos Silva no Parlamento para explicar declarações do PM

FERNANDO VELUDO

PSD quer saber por que razão o primeiro-ministro ocultou na Cimeira dos países do sul da UE a sua posição a favor de listas transnacionais

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O apoio do primeiro-ministro à constituição de uma lista transnacional nas eleições europeias, ocultando esse facto da opinião pública, é a razão invocada pelo PSD para chamar com urgência ao parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros.

António Costa assumiu essa posição ao subscrever a Declaração Final da IV cimeira dos Países do sul da UE, realizada na quarta-feira, em Roma. No último ponto refere-se uma posição de princípio sobre as iniciativas para "promover a democracia e a participação dos cidadãos", no âmbito das quais cabem "as listas transnacionais de deputados do Parlamento Europeu, a serem eleitos a nível europeu (que) poderiam reforçar a dimensão democrática da União”.

As referidas listas poderiam já ser organizadas nas próximas eleições, na primavera de 2019.

Para o PSD, que entregou o respetivo requerimento na Assembleia da República, o apoio do governo português, através do primeiro-ministro, "a uma lista transnacional é contrário aos interesses nacionais, além de ter sido decidido à revelia do parlamento, dos partidos políticos, e dos portugueses".

O PSD acusa ainda António Costa de, nas suas declarações à imprensa, ter ocultado propositadamente o assunto.

De acordo com Duarte Marques, coordenador dos assuntos europeus deste partido, "o primeiro-ministro assumiu um compromisso lesivo do interesse nacional, cedeu à pressão de Macron numa posição francesa que é boa para França ou Alemanha mas é contrária ao interesse de países como Portugal mas, sobretudo, da União Europeia".

"O Governo ignorou posições dos partidos, do Presidente da República, da Assembleia da República e dos portugueses", diz ainda ao Expresso Duarte Marques, acrescentando que "também é grave o facto de ter omitido deliberadamente o ponto das listas transnacionais nas declarações que proferiu à comunicação social nacional".

"Isto é inaceitável mas também recorrente: este Governo tem por hábito esconder do país os acordos e cedências que faz na Europa. Foi assim na PESCO (política de segurança e defesa europeia), no plano B e agora nas listas transnacionais", conclui o deputado.