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“A visibilidade de Portugal traz riscos acrescidos”, diz ex-chefe das secretas

Júlio Pereira, secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP) durante 12 anos, afirma que o facto de Portugal estar na moda e ser hoje o "melhor destino turístico no mundo" também traz perigos

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A segurança que Portugal oferece é um em bem si mesmo, mas a visibilidade externa que o país tem assumido nos últimos tempos também "traz riscos acrescido", afirma Júlio Pereira, que para além dos 12 anos e meio à frente do SIRP, esteve mais três como diretor operacional do Serviço de Informações de Segurança (SIS).

Numa entrevista de vida exclusiva ao Expresso, que será publicada na íntegra amanhã, na edição da Revista E, o magistrado lembra em especial o atual "boom" turístico, em que Lisboa é considerada a melhor capital para destino de férias e Portugal o melhor melhor destino turístico no mundo.

Júlio Pereira, que voltou agora à sua profissão inicial - ingressou no Supremo Tribunal de Justiça como procurador-geral adjunto - divide-se hoje entre Lisboa, a Maia (onde tem a sua residência) e uma aldeia de Vieira do Minho, onde passou a infância. Júlio Pereira é de Montalegre, fez o curso superior em Coimbra e estudou em Pequim, na China, quando fez um curso intensivo de Língua e Cultura. Tem um mestrado em estudos chineses e fala mandarim, que hoje se esforça por manter, com o auxílio da internet.

A atração pela cultura oriental começou quando foi trabalhar para Macau, onde esteve 10 anos. "Até ir para o Oriente, pensava que via com os dois olhos, mas via só com um", afirma, para destacar as formas diferentes de abordar as coisas".

Só em 1997 ingressou nos serviços de Informações, no SIS, a convite do ex-ministro Rui Pereira, que conheceu no liceu em Chaves. Como secretário-geral do SIRP, trabalhou com três primeiros-ministros, mas pensa que nestes assuntos há um "consenso alargado".

Defensor da fusão dos serviços, porque "é difícil dissociar a questão interna da externa", pensa que na atual situação internacional, "os serviços têm de naveghar no meio de um grande nevoeiro". Quanto ao seu funcionamento, diz que é razoável, e que não existe outro serviço no mundo (nem da adminsitração pública) que seja tão fiscalizado como o português.

Apreciou que finalmente os serviços tivessem acesso aos metadados, mas continua a reclamar a capacidade de fazer escutas, no quadro da luta anti-terrorista. E quanto aos rumores de ser maçon confessa que "já o quiseram levar em visita", mas que a maçonaria não o mobiliza