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Preto no branco: o que aproxima e afasta Rio e Santana

O prazo acabava esta terça-feira. Santana e Rio já entregaram as moções que vão ser votadas no congresso de fevereiro

Onde está o PSD e para onde deve ir, como se deve relacionar com o PS, qual o papel das finanças e o que falta fazer. Santana e Rio já puseram as cartas na mesa. Descubra as diferenças

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Em 9 pontos, explicamos-lhe o que as moções de Pedro Santana Lopes e Rui Rio prometem na disputa pelo lugar de líder do PSD.

Santana, que apresentou esta terça-feira, o documento “Unir o partido, ganhar o país”, pormenoriza várias propostas, 221, sem esquecer a estratégia para as próximas eleições, desde regionais a presidenciais.

Rio, que apresentou há duas semanas a moção “Do PSD para o país”, escreveu um documento que não pretende ser já “um programa partidário, nem um programa de Governo” mas um documento de reflexão sobre o país.

Ideologia

Rui Rio
“O PSD precisa de se reencontrar consigo próprio para se reposicionar no lugar que é seu: num centro político alargado que vai do centro-direita ao centro-esquerda, de orientação reformista e com inspiração na social-democracia e no pragmatismo social”.

Pedro Santana Lopes
“Assim, a democracia pluralista, a liberdade individual, o primado do direito, a capacidade reformista, a igualdade de oportunidades, a justiça social e a abertura à sociedade civil são as marcas que distinguem o PPD/PSD. Mais do que um posicionamento ideológico restrito e castrador, são estas marcas que definem os genes do partido. Somos o que somos! De nada interessa face à nossa riqueza e matriz ideológicas, rótulos de centro esquerda ou de centro direita. Somos o PPD/PSD e ninguém tem dúvida do que isso significa ou corporiza”.

PSD

Rui Rio
“O PSD precisa de quebrar o progressivo fechamento a que se votou. Por isso, tem dificuldade em renovar os seus quadros, em alargar a sua base eleitoral, em consolidar a sua implantação nas comunidades locais”.

Pedro Santana Lopes
“Comigo o PPD/PSD será um partido permanentemente aberto à sociedade civil. Fui forjado num partido aberto e sou uma pessoa de abertura aos outros. O PPD/PSD não pode ser nunca um espaço fechado. Pelo contrário, tem que voltar a ser o partido capaz de atrair as mulheres e os homens valorosos do nosso país”.

Coligações

Rui Rio
“Seja no exercício da governação, seja como partido de oposição, o PSD não pode fechar-se a entendimentos, sempre que aqueles superiores princípios estejam em causa. O PSD tem, na sua cultura política e na sua história, a busca do compromisso como expressão de responsabilidade democrática, não só para com os seus eleitores, mas também para com o país”.

Pedro Santana Lopes
“O PPD/PSD apresentará sempre, em cada ato eleitoral, o seu projeto político, pelo que, idealmente, concorrerá sozinho às próximas eleições legislativas. Se a frente de esquerda se dissolver, dadas as fraturas estruturais que a dividem, o PS não contará com o apoio do PPD/PSD para concluir a legislatura ou para a constituição de um bloco central, nem antes, nem depois das eleições legislativas. Aceitamos e defendemos pactos de regime sobre matérias estruturantes dos nossos sistemas político, económico e social. Mas esses pactos só poderão ocorrer durante a próxima legislatura por considerarmos que nesta, estando próxima do fim. Não será adequado estar a negociar pactos de regime enquanto se constrói a alternativa de governo”.

Presidenciais

Rui Rio
Não chega a falar de presidenciais, nem das regionais na Madeira no próximo ano. Coloca como meta ganhar as europeias na primavera de 2018 como o primeiro sinal para o PSD ganhar daí a seis meses as legislativas.

Pedro Santana Lopes
“Temos a honra e o profundo orgulho de ver na Presidência da República alguém com a dimensão humana e a capacidade política de Marcelo Rebelo de Sousa. É por isso que nas próximas eleições presidenciais reafirmaremos o nosso apoio a um Presidente no qual os portugueses se reveem, respeitam e ao mesmo tempo encontram uma proximidade e um equilíbrio que os ajuda a acreditar de novo na política, nos políticos e, sobretudo, nas capacidades dos portugueses”.

Diagnóstico e prioridades

Rui Rio
Aponta sete problemas, desde a elevada dívida externa, à insustentabilidade demográfica, passando pela divergência económica com a Europa. Entre as prioridades, escreve que “é decisivo que Portugal retome, desde já, o processo de convergência com a média da Zona Euro”.

Pedro Santana Lopes
“Como se tornou claro dois anos depois da formação da frente de esquerda, Portugal perdeu o rumo e não tem uma estratégia reformista”, defende Santana que aponta com um dos seus objetivos “assumir o 'Interior' como um verdadeiro desígnio nacional e projetar uma estratégia política e económica bem sucedida a partir de uma nova perspetiva de inovação territorial que potencie os recursos endógenos e regenere a vida económica e social das populações”.

Impostos

Rui Rio
“Redução da carga fiscal que muito penaliza os cidadãos e as empresas”.

Pedro Santana Lopes
“A asfixia fiscal do país, que sustenta uma enorme despesa pública, deve dar lugar a uma fiscalidade equilibrada para incentivar e premiar quem investe e quem quer produzir”.

Reforma do Estado

Rui Rio
“A principal reforma em que o PSD se deve empenhar é no processo de descentralização e de desconcentração dos diferentes organismos do Estado e institutos públicos”.

Pedro Santana Lopes
“É por isso fundamental inovar e modernizar o Estado, reformando-o, de molde a torná-lo apto a responder às necessidades dos cidadãos e aos desafios de futuro. Reforma que deve abranger não só a administração central e desconcentrada do Estado, mas também as regiões autónomas e a administração local, que deverão adotar uma gestão inteligente, inovadora e eficiente, numa clara aproximação aos cidadãos”.

Finanças

Rui Rio
“A sustentabilidade das contas públicas é uma condição necessária para um crescimento económico mais sustentado, maior solidariedade intergeracional e maior resiliência perante os choques externos que ciclicamente ocorrem”.

Pedro Santana Lopes
“É o crescimento económico sustentado que levará a uma descida gradual e consistente do défice e da dívida e tornará as contas públicas equilibradas. É este o compromisso do PPD/PSD”.

A frase

Rui Rio
“Os partidos não podem continuar a fazer um imenso rol de promessas simpáticas que depois ficam pelo caminho com o argumento de que 'se desconhecia a grave realidade que se herdou”.

Pedro Santana Lopes
“Entendemos que a candidatura de Pedro Santana Lopes é uma candidatura de ideias e de propostas e que os militantes devem tão cedo quanto possível perceber quem se mobiliza à volta de slogans vazios ou discursos moralistas como o do 'banho de ética', ou de promessas salvíficas de um 'novo 25 de Abril'; e quem privilegia as ideias, sector a sector, como um motor de uma candidatura”.

Pode ler com mais detalhe cada uma das moções aqui:

Rui Rio

Pedro Santana Lopes