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Marcelo ao “El País”: “Somos os nórdicos do século XXI”

José Sena Goulão/Lusa

Dois dias após a eleição de Centeno para o Eurogrupo, Marcelo falou ao “El País”. Eis as vantagens que encontra no sucessor de Dijsselbloem: “É sobretudo uma questão de ouvir as outras vozes, o que sem dúvida faltou”

Marcelo Rebelo de Sousa festejou a eleição de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo com uma entrevista ao “El País” em que deixa uma indireta ao espírito do último líder daquela instituição europeia, o holandês Dijsselbloem. "Não é uma questão de finanças, é sobretudo uma questão de ouvir melhor as outras vozes, de facilitar o diálogo com o Norte, o que, sem dúvida, faltou", afirma o Presidente da República.

"Somos os nórdicos do século XXI", acrescenta Marcelo, que enumera os fatores que na sua opinião contribuíram para a eleição do ministro das Finanças português. "O primeiro é a unidade nacional, além das diferenças partidárias [o PR continua a desdramatizar a geringonça]; o segundo é a consciência europeia de Portugal - embora as cores dos seus governos tenham mudado, o compromisso europeu dos seus governantes nunca mudou"; e também pesou o facto de o primeiro-ministro, António Costa, "ter escolhido um caminho pró-europeu para o Governo socialista", apostando "tudo na Europa".

O "tempo de mudança" que se vive na Europa também foi destacado pelo Presidente, que antecipa uma alteração do peso dos dois "hemisférios" europeus: se no século passado foi a ajuda dos países do Norte da Europa a ser procurada, "agora Portugal está a desempenhar esse papel. Somos os nórdicos do século XXI porque temos essa vocação de diálogo com países diferentes".

Sem deixar passar o clima de instabilidade que se vive em vários países europeus - "Brexit, França com o novo governo de Macron, Alemanha sem Governo, Áustria não se sabe, Itália com eleições à vista" -, Marcelo Rebelo de Sousa contrapôs a "solução equilibrada que é Portugal".

Ao próprio Mário Centeno, Marcelo também reservou elogios: "Começou como tecnocrata e em dois anos afirmou-se como político". Agora, o que o PR espera dele é que, ao contrário do antecessor (que chegou a afirmar ver nos países do Sul da Europa "copos e mulheres"), saiba "ouvir as outras vozes, porque sem diálogo não há entendimento, muito menos compreensão".