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Costa: “Não compete ao ministro, nem ao secretário de Estado, nem ao primeiro-ministro guardar o paiol de qualquer quartel”

Tiago Miranda

Em resposta a Cristas, Costa negou que falte assumir responsabilidades políticas por Tancos, dizendo que quem deve apurar se houve ou não furto são as autoridades

O primeiro-ministro voltou a falar de Tancos para dizer que as autoridades "saberão apurar" o que aconteceu e que não compete "nem ao ministro, nem ao secretário de Estado, nem ao primeiro-ministro guardar o paiol de qualquer quartel de qualquer unidade militar". "As armas foram reencontradas", lembrou Costa.

Depois de Assunção Cristas ter perguntado pelas "responsabilidades políticas" no caso de Tancos e pela vaga de casos de legionella ("o país parece anestesiado. Morre mais uma pessoa e ninguém se indigna"), o primeiro-ministro acusou a líder centrista de querer fazer uma política de "casos" e de não querer falar sobre os temas agendados para este debate quinzenal – a desigualdade e a coesão social: "Não quer falar efetivamente sobre desigualdade, nem sobre redução da pobreza, porque de 2015 para o primeiro ano de ação deste Governo houve menos 35 mil crianças em risco de pobreza. Isto é que é mudar a vida das pessoas".

Em "jeito de balanço de fim de ano", Cristas puxou de novo pelos assuntos do Infarmed, da Santa Casa da Misericórdia –possivelmente com o negócio do Montepio – e da entrada de Portugal na nova estrutura europeia em matéria de defesa, processo sobre o qual Cristas disse haver informações insuficientes, acusando o Governo de "brincar" à democracia. Mas não teve respostas de Costa, que disse apenas retirar das declarações de Cristas que a centrista é contra a mudança do Infarmed para o Porto.

A líder do CDS lembrou que todas as propostas do partido no âmbito do OE mereceram voto contra do PS, num "sectarismo inacreditável", mas voltou a pedir consensos para a criação do estatuto fiscal do interior. Nesta discussão sobre a procura, ou não, de consensos, Costa devolveu a acusação e disse que Cristas se coloca fora desses consensos, "desqualificando" os seus adversários. "Escreve uns artigozinhos na comunicação social em que recorre ao insulto permanente", acusou o primeiro-ministro, provocando muitos protestos na bancada do CDS.