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Centeno: “Esta eleição não muda nada na política interna em Portugal”

reuters

Mário Centeno assegurou que os acordos do Governo com o Bloco e o PCP não são colocados em causa com a eleição para a presidência do Eurogrupo

Mário Centeno assegurou que a eleição para presidente do Eurogrupo “não muda nada” na política interna de Portugal. Naquela que foi a segunda conferência de imprensa depois de ter sido votado como o novo presidente do órgão que reúne todos os ministros das Finanças da zona euro, Centeno defendeu que agora a responsabilidade para cumprir as metas orçamentais “não é acrescida nem nova”.

“Temos um conjunto de compromissos em Portugal que não são de todo colocados em causa com esta eleição. Como já referi, o que ganhámos foi a capacidade e possibilidade de trazer para esta arena um conjunto de princípios que são do Partido Socialista, que estão no programa de Governo e que em nada prejudicam a governação que está acordada com os parceiros parlamentares”, disse quando questionado se a eleição prejudicava a relação do Executivo com o Bloco de Esquerda e PCP. “Esta eleição não muda nada na política interna em Portugal”, acrescentou.

Centeno sublinhou ainda que há uma o Governo estava em Bruxelas “a lutar para que o país não tivesse suspensão dos fundos estruturais”. Admitiu ainda que há “um novo patamar de exigência” para com Portugal, mas que acredita que o país e os portugueses estão “dispostos e orgulhosos de estarem nessa posição”.

“Traz para o país uma distinção que nenhuma outra [eleição] tinha trazido. É o ministro das Finanças de Portugal, que por acaso se chama Mário Centeno, que ocupa este lugar. É uma honra para mim e uma distinção para o país”, disse.

Recusando divulgar qual o número de votos – tal como já tinha feito Jeroen Dijsselbloem -, Centeno defendeu que Portugal tem feito um caminho de credibilização desde 2015, quando “o país à beira de um processo de sanções e de suspensão de fundos estruturais”, e que foi isso que permitiu o resultado esta segunda-feira alcançado. “Essa é a maior vitória.”

Questionado sobre como irá lidar o presidente o Eurogrupo com o ministro das Finanças de Portugal, Centeno defendeu que que não haverá problemas e ressalvou que o papel do líder daquele órgão não é “dar recados a nenhum ministro” mas sim “coordenar reuniões”.

Mário Centeno foi esta segunda-feira eleito presidente do Eurogrupo pelos ministros das Finanças da zona euro. O ministro português foi escolhido na segunda volta, depois de numa primeira ronda em que nenhum dos candidatos obteve uma maioria simples, ou seja, 10 votos em 19 ministros.

A segunda volta foi apenas disputada com o luxemburguês Pierre Gramegna, depois de o eslovaco Peter Kazimir e da letã Dana Reizniece-Ozola terem retirado as candidaturas.

Mário Centeno assumirá as rédeas do Eurogrupo a partir do dia 13 de janeiro, data em que termina o mandato de Jeroen Dijsselbloem, e permanecerá no cargo durante dois anos e meio. A primeira reunião está marcada para 22 de janeiro.