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Marques Mendes: “Nomeação de Mário Centeno para o Eurogrupo é boa para o próprio e para Portugal, mas gera atrito na geringonça”

A nomeação de Centeno para o Eurogrupo pode ser “um amargo de boca” para o PCP e o BE, diz Marques Mendes. No espaço habitual de comentário na SIC, a propósito do episódio da taxa das renváveis, considera que “o Governo está desgovernado” mas que isso “não vai abrir uma crise política

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

A candidatura de Mário Centeno à presidência do Eurogrupo é vista por Marques Mendes como uma decisão “boa para o próprio, porque ganha currículo e dimensão internacional; e boa para Portugal, porque dá prestígio ao país,que há três anos estava sob resgate”. Contudo, “gera atrito na geringonça”, considerou esta noite o comentador do Jornal da Noite da SIC. A confirmar-se a eleição de Centeno na segunda-feira, “será um amargo de boca para os parceiros de coligação”, já que PCP e BE “são contra o euro e não querem ter o ministro das finanças a presidir ao que consideram ser o inimigo”, disse o antigo líder do PSD.

Para Marques Mendes, as hipóteses do ministro das Finanças Português ganhar são grandes uma vez que “querem um ministro socialista no Eurogrupo” e “António Costa tem uma boa relação com Merkle”. E considerou também que a ocupação do cargo pelo ministro português “representa uma válvula de segurança contra derrapagens orçamentais e avarias financeiras” em Portugal, já que, argumentou, “quem lidera tem que dar o exemplo”.

Aproveitando o seu espaço televisivo habitual de domingo, o comentador teceu elogios ao Expresso por ter sido “premonitório” quando anunciou esta candidatura em 1 de abril passado. E, apesar de dizer que não sabe se Portugal terá ou não influência na reforma do euro, considera que “pode ter uma participação ativa na definição do novo modelo”.

“Descordenação no Governo”

Outro dos temas abordado por Marques Mendes foi o polémico chumbo da taxa sobre as energias renováveis que levou o Bloco de Esquerda a acusar o Governo de “deslealdade”.

Para o comentador da SIC, este episódio “foi a asneira da semana” e “aconteceu por descoordenação dentro do Governo”. Porém, Marques Mendes segue os mesmos argumentos do Governo para justificar a não aprovação da taxa, invocando que “não se podem alterar regras contratuais”, que havia risco de o Estado “ter de pagar indemnizações” e que “não dá credibilidade a um país que quer atrair investidores”.

Criticando a “gestão política caótica” deste assunto, o ex-líder social-democrata argumentou que tal se deve ao facto de “o Governo não ter um verdadeiro número dois capaz de substituir o primeiro ministro com eficiência”. No seu entender, um “nº2” poderia fazer a coordenação política dentro do Governo.

No meio do que apelidou de “desgoverno”, Marques Mendes considerou que a coligação não está em risco porque “todos tiveram um pretexto para abrir uma crise política, mas não o fazem porque têm medo de ser penalizados eleitoralmente”. Porém, em sua opinião, “PCP e BE vão ser cada vez mais adversários do Governo” e este “vai ter de fazer mais concessões e cedências do que gostaria”.