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Jerónimo de Sousa diz que Centeno não vai mudar nada

Jerónimo de Sousa foi entrevistado no Parlamento, num momento em que ainda decorriam votações do Orçamento do Estado na especialidade

Nuno Botelho

O secretário-geral do PCP evocou "experiências anteriores" em que portugueses assumiram funções na UE e "o país não ganhou nada com isso". Rui Rio também reagiu à candidatura, dizendo que se Centeno for eleito o mérito terá de ser repartido entre o Governo atual e o anterior. E Santana defendeu que um maior comprometimento com normas europeias não será boa notícia para BE e PCP

O secretário-geral do PCP afirmou este sábado, em Alpiarça, que a eventual eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo não vai determinar as políticas da União Europeia nem significa melhorias para o país, como demonstraram “experiências anteriores”.

Falando num almoço-comício em Alpiarça, no distrito de Santarém, Jerónimo de Sousa afirmou que o povo conhece “experiências anteriores em que cidadãos nacionais assumiram responsabilidades na União Europeia e o país não ganhou nada com isso”. São exemplos de portugueses com altos cargos na União Europeia Durão Barroso, que foi presidente da Comissão Europeia, ou Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu.

“Pode-se eleger [o ministro das Finanças, Mário Centeno] para a presidência do Eurogrupo. A questão é saber quem é que vai determinar as políticas da União Europeia e não será um presidente, não será um homem. Quem decide são as instituições e as instituições atuais da União Europeia decidem, não a favor dos povos nem dos países, mas a favor do grande capital e isso não se vai alterar seja qual for o resultado”, declarou no final de um almoço que reuniu cerca de 300 pessoas no pavilhão do parque de exposições de Alpiarça.

Rui Rio: eleição de Centeno será "excelente notícia"

O candidato à liderança do PSD Rui Rio disse este sábado que, se Mário Centeno conseguir ser eleito líder do Eurogrupo, será uma "excelente notícia" e o mérito terá de ser repartido entre o anterior e o atual Governo.

"O mérito tem de ser repartido pelos dois governos. Tem de ser repartido pelo Governo anterior, por tudo aquilo que fez, e tem de ser repartido pelo Governo atual por tudo aquilo que também fez e, portanto, eu acho que para Portugal é uma excelente notícia", disse Rui Rio aos jornalistas, à margem de uma sessão com militantes do PSD em Fátima, distrito de Santarém.

Embora considerando que o cargo de líder do Eurogrupo não é "absolutamente determinante", Rui Rio considerou que é um cargo "que pode ter alguma influência sobre aquilo que podem ser as políticas europeias".

"E, portanto, Portugal e os países do Sul ganham com isso e esperemos que os do Norte também ganhem por força de uma maior unidade europeia", argumentou.

Questionado sobre se entende que há o perigo da eventual eleição como líder do Eurogrupo poder levar Mário Centeno a descurar a função de ministro das Finanças, Rui Rio disse esperar que isso não aconteça.

"Todo o Governo português e em particular o dr. Mário Centeno, quando aceita um cargo desses, está consciente de que vai ocupar uma parte do seu tempo fora de Portugal, mas que tem o ministério das Finanças e toda a equipa das Finanças preparada para continuar a dar a resposta que está capaz de dar. Boa ou má, isso depois logo se vê, é a resposta que está capaz de dar", afirmou Rui Rio.

Santana: Portugal "só tem a ganhar"

Também o rival de Rio na corrida à liderança do PSD, Pedro Santana Lopes, reagiu para dizer que a candidatura "deve ser motivo de satisfação", mas não para todos, nomeadamente os partidos que apoiam o Governo.

“Parece-me bem para Portugal. Sempre que um português se candidata a um cargo de relevo nas instâncias internacionais, isso deve ser motivo de satisfação. Neste caso há uma preocupação conexa que é o modo como irá funcionar o Ministério das Finanças”, afirmou.

Questionado à chegada pelos jornalistas sobre a candidatura de Mário Centeno no Fundão, onde participava num encontro com jovens, o candidato à liderança do PSD defendeu que tal é possível “graças à boa imagem” e “aos bons resultados de Portugal”, o que “decorre” não só do trabalho do atual Governo, como também do Governo anterior.

Ressalvando que o país “só tem a ganhar com o que vai acontecer”, Pedro Santana Lopes também se mostrou preocupado com os reflexos que a eventual vitória de Mário Centeno pode trazer para o funcionamento do Ministério das Finanças, por eventual falta de tempo do governante para os assuntos exclusivamente portugueses.

“Depois do primeiro-ministro, julgo que deve ser o membro do Governo sempre com a agenda mais preenchida - este ou qualquer ou qualquer outro ministro das Finanças - e, por isso, ainda o Eurogrupo com certeza que é muitíssimo complicado”, fundamentou.

Segundo considerou, caso Mário Centeno venha a exercer as funções de presidente do Eurogrupo também levará a “um comprometimento maior de Portugal com as posições de Bruxelas”, o que “não será uma boa notícia para os parceiros de coligação do PS”.