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Política

PCP: OE fica “longe de corresponder ao que é necessário” e “distante das possibilidades reais que existem no país”

Marcos Borga

PCP fez discurso duro para o Governo, criticando o Executivo relativamente às progressões nas carreiras e medidas sobre incêndios, no encerramento do debate do OE

"Não é um Orçamento do PCP, é um Orçamento do Estado do Governo PS". Foi uma das ideias principais defendidas por João Oliveira, líder parlamentar do PCP, numa intervenção no encerramento do debate do Orçamento do Estado em que insistiu: as partes positivas do Orçamento têm dedo do PCP, e as negativas devem-se aos espartilhos que a União Europeia impõe e que o PS se auto-impõe.

O comunista elencou as medidas positivas que o PCP conseguiu fazer passar, da gratuitidade dos manuais escolares à derrama do IRC e ao fim do corte de 10% no subsídio de desemprego ao fim de seis meses. Mas "podia e devia ter-se ido mais longe", insistiu, caso o PS tivesse de facto "rompido com opções da política de direita".

Depois de falar das "cerca de 50 propostas do PCP aprovadas na especialidade", João Oliveira passou a especificar o que os comunistas encontram de errado ou insuficiente no documento final. Exemplos: na progressão nas carreiras, "não ficou clarificado, como o PCP propunha", que o tempo de serviço deve ser integralmente contado; em matéria de incêndios, só 10 das 44 propostas do PCP foram aprovadas, deixando o partido convencido que se ficou "aquém do necessário".

O PCP guardou para o fim as críticas à direita, sobretudo na questão dos duodécimos - que acabaram no sector privado por proposta do PCP, com a direita a criticar a medida - dizendo que PSD e CDS demonstraram "a raiva do grande patronato ao ver ruir os planos que tinha urdido".

"O OE está, globalmente, longe de corresponder ao que é necessário", e distante das possibilidades reais que existem no país", graças às metas do défice que "o Governo impõe a si próprio" e a fatores como o euro e a UE. Por isso, o PCP criticou o Governo por não tomar as "opções de fundo" que considera importantes para "libertar o país daquilo que o amarra".