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Governo: “Hoje já sabemos que era possível governar sem culpar os portugueses”

Marcos Borga

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares falou para fechar o debate do OE e congratulou-se pela vitória que é partilhada por “PS, BE, PCP e Verdes”. “PSD e CDS escolheram não ser levados a sério”

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, tomou a palavra em nome do Governo para fechar o debate sobre o OE — que será de seguida votado na globalidade — e fazer um balanço positivo dos dois últimos anos, incluindo os partidos que apoiam o Governo nesse discurso.

"O país vive uma estabilidade política notável, sem que os partidos que compõem a maioria tenham de se anular, tenham de deixar de existir ou afirmar as suas diferenças, começou por dizer. Para a direita, várias farpas: "Notem bem: todas — repito, todas — as previsões da oposição falharam. A direita foi derrotada pela realidade e por uma governação rigorosa e cumpridora".

Acusando PSD e CDS de terem uma "visão sacrificial do futuro", o governante declarou: "Só quem não percebeu o que aconteceu entre 2011 e 2015 é que não entende que era prioritário mostrar aos portugueses que não eram culpados, que não tinham vivido vidas excêntricas e que - ao contrário do que lhes foram dizendo durante esses quatro anos - era mesmo possível viver melhor em Portugal". E disse estar "atento ao debate interno do PSD", mas sem encontrar "as famigeradas reformas de que tanto falam". Logo se seguiram os apupos e protestos da bancada social-democrata.

Pedro Nuno Santos dedicou boa parte da sua intervenção a mostrar porque é que, para o Governo, PSD e CDS "não percebem como funciona uma economia moderna". "É o debate entre iludidos e realistas. É o debate entre quem continua iludido pelo poder criador da destruição e quem sabe como se organiza uma economia que inova e contribui para uma sociedade decente. É o debate entre uma política fiscal esbanjadora e ineficaz e uma política económica inteligente e rigorosa".

A fechar a intervenção, o secretário de Estado concluiu que o debate do Orçamento "mostrou que o PSD e o CDS escolheram não ser levados a sério" e que "perderam qualquer credibilidade para fazer alertas sobre as contas públicas".

"Hoje já sabemos que era possível governar sem culpar os portugueses", disse. Sabemos, no plural, porque a "vitória" não foi atribuída só ao PS: nos últimos momentos do seu discurso, e depois de assegurar que o objetivo do Governo não é apenas impedir que a direita governe, Pedro Nuno Santos mencionou também "o Bloco de Esquerda, o PCP e o Partido Ecologista Os Verdes", que também conseguiram "provar que era mesmo possível viver melhor em Portugal".