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A aula de Passos sobre uma “legislatura perdida”: “Podemos ficar descansados, porque a comédia e o ridículo vão continuar”

Marcos Borga

Durante a sua intervenção no debate final sobre o Orçamento do Estado, o lLíder do PSD passou em revista dois anos de Governo. Apesar de reconhecer alguns bons indicadores,Passo Coelho acusou o atual Governo de, quando as coisas correm mal, usar “a desculpa esfarrapada e inconsistente” de que a culpa é do anterior

Pedro Passos Coelho tomou esta tarde a palavra no debate final sobre o OE para uma intervenção que quase pareceu uma aula de economia e história. Pegando nas promessas do Governo e da maioria parlamentar e das suas consequências nos dois anos de legislatura que já passaram, o líder cessante do PSD voltou a 2015 e recapitulou a História deste Executivo para dizer que os "enunciados políticos" prometidos na altura "merecem ser contrastados com a realidade".

No início, a ideia do Governo era apresentar a austeridade como uma "marca ideológica inimiga do bem-estar social" que "só o PSD e o CDS poderiam ter trazido ao país", argumentou Passos. E voltou a dizer que, com a "realidade" a contrariar o Governo, este teve de recorrer a um "plano B" - passando pelas cativações de "valores históricos": "Se a realidade se atravessa numa boa narrativa, mantém-se a narrativa e nega-se a realidade".

Apesar de reconhecer alguns bons indicadores, o líder do PSD anunciou: "O plano B, no entanto, prosseguiu e ainda prossegue". E acusou o Governo de, quando as coisas correm mal, usar "a desculpa esfarrapada e inconsistente" de que a culpa é do anterior Governo.

Numa longa intervenção em que ultrapassou o tempo previsto, Passos falou ainda de assuntos da atualidade - referindo a possível transferência do Infarmed para o Porto ou o processo de descongelamento das carrreiras - e distribuiu críticas ao BE e ao PCP. Mas as principais farpas foram mesmo para as decisões do Governo a nível económico: "O Governo elege para seu principal objetivo não a consolidação estrutural e a descida do rácio de dívida pública (...) mas antes o crescimento da despesa estrutural". "Trata-se realmente de uma legislatura perdida do ponto de vista da preparação do futuro".

Com muitas palmas - e uma ovação de pé no final - Passos repetiu: "Estamos na presença da pura comédia e do ridículo". E outra vez: "Podemos ficar descansados, porque a comédia e o ridículo vão continuar".

Para terminar, Passos falou ainda da vontade expressa pelo Governo de encontrar consensos com o PSD (nomeadamente para o Portugal2030), uma "ideia artifical". "Quem pede consensos não pode ser o primeiro a negá-los".