Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Descodificador: juros são risco para mais tarde

MÁRIO CRUZ / Lusa

Juros da dívida irão subir, avisa Mário Centeno. O período de ouro atual é excecional. Contudo, a subida não é para já. Mas há que estar preparado. Reduzindo a fatura anual

Porque Centeno falou em subida 
dos juros?

Porque a época de juros da dívida pública na zona euro em mínimos históricos é mesmo excecional. As taxas mínimas que Portugal — e os outros países da zona euro — tem pago recentemente em emissões de obrigações são fruto do programa de compra de dívida do Banco Central Europeu (BCE). O programa foi lançado em março de 2015 e poderá terminar em setembro de 2018. Por isso, o ministro das Finanças disse, esta semana, na abertura da conferência da Ordem dos Economistas que, com a retoma europeia, pode vir “um ciclo de taxas de juro mais elevadas”.

Os juros da dívida pública vão mesmo subir?

Sim, mas não em breve. 
O ministro apontou para a tendência futura sem a datar. Os próprios analistas de mercado não se entendem 
sobre quando os juros irão regressar 
a uma tendência de subida. 
É de admitir que, quando o BCE 
der um sinal de que vai parar de vez 
as compras de nova dívida no mercado, isso poderá ter um primeiro efeito 
de alta. Alguns vaticinam 
que o programa acaba mesmo 
no final de setembro do próximo ano. Mas, mesmo que as compras 
parem, o BCE vai continuar 
a reinvestir as somas que receber 
dos títulos que vão vencendo. 
Pelo que um efeito positivo
 vai permanecer,pelo menos 
durante algum tempo.

Quanto vai custar ao Estado se os juros subirem?

Entre 0,15% a 0,24% do PIB. As Finanças já incluíram essa simulação no Orçamento do Estado para 2018. Uma subida de um ponto percentual nas taxas de juro da dívida nos vários prazos pode custar entre 300 e 480 milhões de euros, segundo estimativas da Agência da Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP). O efeito da subida dos juros nas contas é sempre limitado, uma vez que só se fará sentir à medida que o Estado vai refinanciando títulos que vencem.

Pagar ao FMI amortece o risco da subida de juros?

Sim. Em virtude da taxa paga pelos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) ser superior a 4%, claramente acima do custo médio de financiamento atual nos mercados, os pagamentos antecipados ajudam a descer o montante da dívida a este credor oficial e descem a futura fatura anual de juros. Centeno acelerou ao longo do ano esta estratégia. Tendo previsto inicialmente um montante de €5,3 mil milhões para 2017, o Ministério das Finanças subiu para €8,4 mil milhões no Orçamento do Estado e vai acabar por pagar mais de €9 mil milhões.