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António Costa: “Só os arquitetos devem assinar projetos de arquitetura”

António Costa na inauguração da Casa da Arquitectura

RUI DUARTE SILVA

Primeiro-ministro falava na inauguração da Casa da Arquitectura, em Matosinhos, onde assumiu que o Estado será parceiro da nova instituição

Terá sido a afirmação ansiada, no momento e no local oportunos. Os projetos de arquitetura devem ser assinados apenas pelos profissionais de arquitetura. António Costa marcava assim, no âmbito da inauguração da Casa da Arquitectura (CA), instalada nos antigos armazéns da Real Vinícola, em Matosinhos, uma posição clara face a uma polémica reacendida nos últimos tempos com a apresentação de projetos de decreto-lei apresentados pelo PSD e pelo PAN, e aprovados na generalidade com os votos dos Verdes, destinados a alargar aos engenheiros civis a possibilidade de assinarem projetos de arquitetura.

O primeiro-ministro revelou ficar “sempre arrepiado” quando ouve que “se quer alterar novamente a legislação para retroceder relativamente a um dos maiores ganhos civilizacionais que o país teve nos últimos anos e que foi definitivamente consagrar que os projetos de arquitetura são da competência exclusiva dos arquitetos”. Na opinião de António Costa, “mais nenhuma outra profissão, por muito útil que seja à construção”, substitui a mão, “o desenho e o saber único que só um arquiteto sabe ter”.

Durante os três discursos proferidos na cerimónia, primeiro por José Manuel Dias da Fonseca, depois por Luísa Salgueiro, presidente da CM de Matosinhos, e por fim por António Costa, aquele foi o único momento interrompido por aplausos.

Outro momento crucial desta passagem de Costa pela CA foi quando, já a terminar, o governante pediu uma ficha para que o Estado se possa inscrever como parceiro de uma instituição que classifica como do maior interesse para o país. Aponta-a, de resto, como exemplo, dada a circunstância de se tratar de uma iniciativa concebida e desenvolvida no âmbito da autarquia, com dinheiros e pessoal da autarquia.

Visita à exposição Poder Arquitetura

Visita à exposição Poder Arquitetura

RUI DUARTE SILVA

Boa arquitetura em Matosinhos

Matosinhos é um concelho muito marcado pela excelência da arquitetura ali desenvolvida, em particular desde o 25 de abril. Embora sejam de destacar obras construídas ainda durante o Estado Novo, graças ao empenho do então presidente da Câmara, como a Casa de Chá da Boa Nova e a Piscina de Marés, ambas em Leça da Palmeira e ambas projetos de juventude de Álvaro Siza, ou ainda a Quinta da Conceição, de Fernando Távora.

O próprio edifício da CM, assinado por Alcino Soutinho é, porventura, o primeiro exemplo de uma construção concebida para dar resposta às necessidades e ás novas exigências do poder local democrático.

A Casa da Arquitectura abre ao público na sexta-feira a partir das 21 horas. Instalada no antigo edifício de armazéns da Companhia Real Vinícola, construído entre 1877 e 1901, ocupa todo um quarteirão em Matosinhos Sul. Inativo desde os anos de 1930, o edifício estava há oito décadas votado ao abandono e em completo estado de degradação. Renasce agora como Centro Português de Arquitetura, com a particularidade de ser, em Portugal, a única estrutura sem fins lucrativos a dedicar-se em exclusivo à arquitetura e a aglutinar num só espaço área de arquivo e área expositiva.

Com um investimento de €10 milhões, a CA engloba dois espaços expositivos; áreas de conservação e restauro; zonas de arquivo documental, suportes estáveis e instáveis, filmes, fotografia e arquivo digital; biblioteca; loja de mobiliário e livraria; e serviço educativo. O edifício, devolvido á vida através do meticuloso projeto de restauro de Guilherme Machado Vaz, 43 anos, arquiteto dos quadros da Câmara Municipal de Matosinhos, tem ainda uma enorme área destinada á Orquestra Jazz de Matosinhos, com estúdios de gravação e uma área destinada a lojas e restauração.