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Política

Governo não vai reduzir lista de utentes dos médicos de família

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Ministro da Saúde afirma que a exigência dos sindicatos para retirar utentes inscritos por clínico coloca em risco a promessa de dar um médico de família a todos os portugueses até ao final da legislatura

Adalberto Campos Fernandes afirmou esta manhã no Parlamento, por ocasião da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2018, que a valorização dos profissionais é essencial, mas não pode ser feita a todo o custo. Apesar de este Governo estar "empenhadíssimo em consensos e em fechar acordos", não vai aceder à pretensão dos médicos para a redução da lista de utentes.

Em resposta à deputada à deputada do PCP Carla Cruz, o ministro reafirmou que este Governo, embora "com o maior número profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS)", tem "a noção de que no grupo dos técnicos há carências que têm de ser resolvidas", e que fazem parte da negociação em curso, mas que no caso dos médicos a aproximação vai ser mais difícil. Adalberto Campos Fernandes explicou que "há uma grande dificuldade em conseguir aceder no tempo à redução do número de utentes por médico de família", já que coloca em causa a concretização da promessa do Executivo de dar um clínico assistente a todos os portugueses.

Os sindicatos médicos, que na semana passada organizaram mais uma greve, reclamam uma redução do número de utentes inscritos por médico de família de 1900 para 1500. A proposta do Governo é de que a meta "seja deferida no tempo", assegurando que no final deste ano o número de portugueses sem médico de família seja já um pouco menor, perto de 500 mil utentes. O ministro afirmou que "o capital humano é um fator determinante para que o SNS funcione melhor" e, como exemplo, anunciou a contratação de mais 100 técnicos para o INEM, que conseguirá também renovar a sua frota.

A Isabel Galriça Neto, o governante sublinhou que foram fechados acordos com os farmacêuticos hospitalares e avançou que "as mesas de negociação estão a decorrer normalmente com os enfermeiros". Falta agora, reconheceu, chegar a consenso com os técnicos de diagnóstico e terapêutica e com os médicos.