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Marques Mendes critica todos no caso do Panteão (incluindo ex-governante do PSD/CDS) e arrasa o Estado por causa da legionela

No seu habitual espaço de comentário na SIC, Marques Mendes sustenta que ninguém sai bem da polémica do jantar da Web Summit no Panteão - e diz que a diretora-geral do Património Cultural já se deveria ter demitido. Marques Mendes lamenta ainda que o Estado tenha voltado a falhar com os seus cidadãos, nomeadamente a propósito do surto de legionela que matou quatro pessoas

Luís Marques Mendes foi este domingo especialmente cáustico para o Governo. Na sua rubrica habitual na SIC, criticou a atuação do Executivo em várias frentes, culpando-o pela falta de eficácia e pela "imagem desgraçada" de um "Estado que falha".

Em todas as situações incómodas ou desfavoráveis, o Governo faz sempre o que mais gosta, diz: "Alijar responsabilidades e sacudir a água do capote".

No rescaldo do surto de legionella e após as duas tragédias dos incêndios " a imagem desgraçada" que fica" é de um Estado que falha". "Falhou gravemente em Pedrogão, em Tancos, nos incêndios da zona centro em outubro e voltou a falhar neste caso de saúde pública", acusa Marques Mendes. O comentador diz que "o Governo não mostra eficácia, é tudo muito mau". E espera "que se apurem responsabilidades e a culpa não morra solteira" no caso das mortes no hospital São Francisco Xavier.

Banquete no Panteão: todos saíram mal da polémica

A abrir o comentário, Marques Mendes abordou a controvérsia do banquete da Web Summit no Panteão Nacional. Neste caso do jantar, "todos os intervenientes saíram muito mal" da controvérsia. É um caso "em que ninguém fica bem na fotografia"; referiu Marques Mendes. Mas os culpas maiores vão para o Governo, refere.

Esta foi uma "polémica que nunca deveria ter existido" e caberia ao Governo ter uma "palavra de humildade e garantir que não voltaria a acontecer".

"O jantar nuca deveria ter acontecido: O Panteão é um monumento nacional, mas também um cemitério de símbolos nacionais - e em cemitérios não se fazem jantares", diz Marques Mendes, para quem todos os intervenientes na polémica saíram mal.

O ex-secretário de Estado Jorge Barreto Xavier elaborou o regulamento de cedência dos monumentos nacionais e poderia "ter proibido a utilização do Panteão - mas não o fez". "Ele abriu essa possibilidade e, por isso não sai bem da polémica", defende o comentador.

Diretora-geral demite-se?

Mas a responsabilidade maior é do Governo e da diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva. Poderia ter recusado e autorizou. Na leitura de Marques Mendes, os principais culpados são o Governo e o primeiro-ministro, António Costa.

Se Costa discordava do regulamento de 2014, "já teve muito tempo para o revogar ou corrigir". Depois, a diretora-geral que autorizou foi nomeada por este Governo, afirma. Costa deveria ter seguido o gesto do fundador da Web Summit e, "com humildade, pedir desculpa", garantindo que o erro não se voltaria a repetir.

Para ser coerente, o Governo terá agora de agir, demitindo, porventura, a diretora-geral. Ela já "deveria ter-se demitido ou colocado o cargo à disposição, depois de ter sido desautorizada pela tutela"; diz Marques Mendes. O Governo "terá de afastar e substutir a diretora-geral sob pena de ser conivente com a sua decisão".

Legionella: intolerável

No caso da legionela, o que se passou "foi intolerável". Intolerável que tenha sido num hospital público que que já teve há uns anos um caso idêntico. É um sinal "de desleixo e de falta de cuidado" na manutenção dos equipamentos.

Depois, é grave o que sucedeu após o surto. "Não houve informação adequada, não foram transmitidas regras, uma confusão total", ao contrário do que se passara há três anos em Vila Franca de Xira. É mais um caso em que "o Estado falha".

E se o surto fosse num hospital privado? Bem, a esta hora "já estava encerrado". A dialética politica do PCP e BE levariam a acusar o hospital de comportamento desumano, de obsessão pelo de lucro, diz.

A sucessão de casos "levam à banalização da morte". E esta banalização é um sintoma "de uma doença profunda na sociedade"

Modelo de gerigonça não se repete

Marques Mendes não acredita que o modelo geringonça que suporta o atual governo se repita nas próximas eleições.

A atual coligação ficou a dever-se a três fatores: impedir que Passos Coelho permanecesse no poder, evitar uma crise de liderança no PS, salvando a pele a António Costa, e manter o PCP com influência no mundo sindicado, em especial no sector dos transportes

Marque Mendes admite que os partidos vão cumprir os acordos até ao fim, mas a gerigonça não se repetirá. Por falta de causas comuns, a reposição de rendimentos já não serve. Sem o papão da troika e a ameaça de Passos Coelho, perdem-se os argumentos que viabilizaram a coligação. Depois, os três partidos têm posições muito diferentes em matérias europeia. "O PCP terá receio de perder votos e espaço politico e recusará repetir a aliança", concluiu Marques Mendes.

E quem mais ganhou com este modelo? "Todos os partidos ganharam à sua maneira, mas o PS foi até agora o principal beneficiado, como provam as sondagens e os resultados das autárquicas", respondeu Mendes. Para ele, a principal desvantagem do modelo "é não permitir reformas de fundo, por ser uma governação virada para o curto prazo", baseada na lógica imediatista da chapa ganha, sem visão de futuro. "Se a economia europeia arrefecer, não temos a situação interna preparada", avisou.

Uma outra alfinetada ao governo surgiu por causa das previsões da Comissão Europeia para o crescimento da economia, em 2018 e 2019. Portugal crescerá 2,1% (2018). Mas no lote de 28 países da União Europeia, "há 23 que crescem mais do que nós". Em 2019, a previsão é de 1,8% para Portugal. Mas 24 países superam esta previsão. "Não é um resultado fantástico, estamos a divergir em vez de convergir" com a Europa. O país tem obrigação "de ser mais ambicioso, fazer muito mais". E, sobre isto, "a oposição e os candidatos à liderança do PSD não dizem nada", lamentou Mendes. "Se o país não cresce em tempo de vacas gordas, quando é que vai crescer?", interroga o comentador.