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Santana: “Não sou o campeão dos afetos, mas serei um líder do PPD/PSD de proximidade”

Durante uma hora, Pedro Santana Lopes apresentou aos deputados, em Braga, o que quer para o futuro PPD/PSD e as marcas que o distinguem de Rui Rio na corrida às diretas: um partido de proximidade e cada vez mais popular

Isabel Paulo

Isabel Paulo

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Jornalista

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

Depois de uma intervenção à porta fechada nas jornadas parlamentares do partido, Pedro Santana Lopes cruzou-se com Rui Rio quando desceu do palco para lhe dar o lugar. Rio chegou, primeiro cumprimentou Pedro Passos Coelho, a seguir Santana, um encontro breve para as câmaras de televisão e para a fotografia.

À saída, rouco, Santana confessou que uma hora soube a pouco para dizer o que defende para o partido e que é uma sensação estranha fazê-lo perante "os nossos colegas" numas jornadas parlamentares. "Foi simpático este ambiente parlamentar, a que espero conviver nos próximos como líder do partido", afirmou, vincando que apresentou em prol da sua candidatura a sua "capacidade de ousar num país farto de se desiludir".

Até 2025, propõe-se trabalhar para conduzir o partido às médias de convergência europeia e levar a cabo uma boa reorganização do território, recordando que a aposta no equilíbrio do país foi o tema de uma sua intervenção em 2010, a convite de Luís Montenegro, no Fundão: "Sei o que é depender de Lisboa, quando fui presidente da Câmara da Figueira da Foz", razão pela qual irá nomear, se for eleito líder, três comissários políticos a full-time para a reorganização territorial, crescimento económico e reforma administrativa.

"Não basta vir alguém novo para fazer as pessoas acreditarem na mudança se é para colocar em prática a cartilha que lhe põem na mão", acrescentou Santana Lopes, que diz ser difícil mas que acredita num crescimento acima da média europeia do rendimento per capita nos próximos oito anos, ou seja, em duas legislaturas, a contar de agora. E faz estas contas porque não acredita que o atual Governo chegue ao fim de mandato, face ao "dispêndio de energia" em problemas secundários.

Lucília Monteiro

"Quando se gasta combustível em viagens não necessárias, é difícil chegar ao destino", argumenta Santana Lopes, embora frise que nem ele nem o PPD/PSD têm pressa de chegar ao Governo. A título de exemplo de questões secundárias, adianta as entrevistas dos dirigentes da maioria sobre as intervenções do Presidente da República ou as divergências no seio da maioria.

Por contraponto a Rui Rio, diz que o seu programa será melhor não por ter sempre um sorriso, mas pela proximidade com as pessoas: "Não sou o campeão dos afetos, mas sempre soube estar e falar com as pessoas", assegurou, preconizando que o PPD/PSD será um partido de proximidade e cada vez mais popular.

Por último, nas declarações aos jornalistas fez questão de elogiar Pedro Passos Coelho, que teve de lidar com uma realidade de oposição única: a de uma maioria com um líder que não ganhou as eleições. "Tem sido estoico no combate político", garante Santana.