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Assis: “Costa não devia alimentar conflito” com o Presidente

ALBERTO FRIAS

Socialistas criticam Governo, consideram que Marcelo 
saiu reforçado e, por isso, 
a pressão sobre o primeiro-ministro 
vai aumentar

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

“O Presidente vai ter um papel-chave nos próximos anos. Tem uma relação com o país que mais ninguém tem. Com a perspetiva de um segundo mandato ficará 10 anos. António Costa não tem interesse em alimentar qualquer conflito”, afirma ao Expresso o eurodeputado do PS, Francisco Assis.

“Surpreendeu-me bastante a reação do PS. Foram sinais de alguma desorientação e não interessa estabelecer um conflito institucional. O PR pode ser o promotor de outros entendimentos noutras áreas nos próximos tempos, como na Europa ou na economia”, acrescenta, referindo-se nomeadamente ao ataque do “Ação Socialista” a Marcelo.

O eurodeputado acha que a reação da ala costista foi “epidérmica” face a um Presidente que sai “totalmente reforçado”, mas não acredita que Marcelo queira “obstaculizar” o Governo. “A poeira vai assentar, embora o ambiente vá ser diferente. O PSD está a recompor a sua liderança”.

A lua de mel acabou. É como Costa disse sobre o país depois dos fogos florestais. “Nada será como dantes”. A relação Costa-Marcelo também.

“Costa deu a ideia de que estava com uma atitude sobranceira. Penso que caiu em si e sem dúvida que para isso contribuiu o discurso do PR, que interpreta o sentir dos portugueses”, afirmou a eurodeputada Ana Gomes ao Expresso, acrescentando: “O que me preocupa é que o Governo tenha força e coragem para tomar reformas de fundo que se impõem e procurar ter máximo consenso na sociedade portuguesa”.

Pedro Adão e Silva, próximo de Costa, é mais cauteloso. A nova fase traz novas preocupações. “Este Governo estava desde o início sob escrutínio presidencial particularmente em dois temas: o vínculo europeu e a consolidação orçamental. E se falhasse um deles, haveria um problema na relação. A partir do fim de semana passado, há uma terceira dimensão: a avaliação do Presidente passará a ser também dependente da questão dos incêndios”, diz ao Expresso. Com esta nova exigência, o Presidente passa a ter mais um ponto sensível na relação com o Governo, mas o ex-dirigente socialista não acredita que haja uma verdadeira viragem na relação, até porque, recorda, “Santana Lopes e Rio Rio são candidatos à liderança do PSD e nenhum deles é do agrado do Presidente”.