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Política

Presidente do Banco Central Europeu dá prenda de Natal antecipada a Mário Centeno

reuters

Na sua reunião mais importante do ano, que se realiza esta quinta-feira em Frankfurt, o Banco Central Europeu vai decidir o prolongamento para 2018 do programa de compra de dívida e de outros ativos. O que significa que, pela hora de almoço, Mário Centeno recebe uma prenda de Natal antecipada

Uma parte do Orçamento de Estado (OE) para 2018 joga-se amanhã em Frankfurt. Nem o ministro das Finanças, Mário Centeno, nem o primeiro-ministro, António Costa, estarão presentes, e muito menos votarão, nem mesmo por correspondência.

A cidade financeira alemã é palco da reunião mais importante do ano do Banco Central Europeu (BCE). A equipa de Mário Draghi reúne o conselho, onde participará o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, para tomar a decisão mais crítica para 2018.

A resolução que for anunciada quinta-feira antes das 13 horas (hora portuguesa) para o prolongamento no próximo ano do programa de compra de ativos, vulgo QE (de quantitative easing), marcará a evolução do mercado da dívida pública e do crédito às famílias e empresas no próximo ano para toda a zona euro.

Esta decisão de 26 de outubro terá, por isso, impacto numa parte do Orçamento de Estado português do próximo ano. A continuação pelo BCE das compras mensais, nomeadamente de dívida pública, no mercado secundário, vai influenciar o custo de financiamento do novo endividamento no próximo ano e a taxa de juro do conjunto da nossa dívida. Uma variável fundamental para uma parte das contas de Centeno sempre que Portugal for ao mercado endividar-se.

Outros impactos a ter em conta abrangem o euro, a nossa moeda nas transações internas e no comércio internacional, e as taxas Euribor – as taxas interbancárias europeias que influenciam, depois, as taxas de juro de vários produtos bancários, entre eles os empréstimos à habitação.

Há um consenso entre os analistas de que a equipa de Draghi vai anunciar uma extensão do QE para 2018. O que não se sabe é qual das opções para a sua ‘calibragem’ – como lhe chamou o italiano - vingará.

A prenda no sapatinho – ainda sem a ‘calibragem’ certa

O conselho do BCE tem discutido vários cenários em termos de tempo de prolongamento e de volume mensal.

Uma sondagem da Bloomberg desta semana junto de economistas aponta para uma extensão por nove meses, até setembro de 2018, e uma redução do volume mensal de compras para €30 mil milhões a partir de janeiro, metade do atual. Em suma, um bolo adicional de €270 mil milhões, onde 220 a 230 mil milhões poderão ser dedicados à aquisição de dívida pública.

Olhando para um dos critérios para a distribuição da injeção e para a percentagem que coube, até agora, a cada país beneficiário, Portugal poderá ter ‘direito’ de 3,7 a 3,9 mil milhões de euros adicionais. É menos, naturalmente, do que os quase €5 mil milhões que foram adquiridos até setembro deste ano. Dará para ‘cobrir’ menos de 50% da emissão líquida de obrigações do Tesouro prevista para 2018. Em 2017, deverá chegar ao final do ano representando quase 90% da emissão líquida daqueles títulos.

josé caria

A par do prolongamento, o BCE continuará a reinvestir nos títulos que adquiriu ao abrigo deste programa. Alguns analistas avançam com um adicional de €15 mil milhões por mês para o conjunto da zona euro. Mesmo que o programa de compras parasse de todo, o banco central continuaria a manter em carteira os ativos adquiridos anteriormente, reinvestindo neles. Uma descontinuação dessa operação de reinvestimento é algo que, nos Estados Unidos, a Reserva Federal só decidiu recentemente, depois de já ter parado o QE há precisamente três anos.

O BCE – através fundamentalmente do Banco de Portugal - adquiriu, de março de 2015 até final de setembro de 2017, mais de €29 mil milhões em Obrigações do Tesouro português. Uma fatia que representa quase 25% do stock de obrigações existente no final de setembro.

Mais longínquo está, ainda, o início de um processo de subida das taxas de juro de referência. A sondagem da Bloomberg aponta para uma primeira mexida nas taxas de juro só no primeiro trimestre de 2019, começando por uma subida da taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos da zona euro nos cofres do BCE, uma taxa de -0,4% muito contestada pelo sector bancário.

  • Reviravolta negativa nas bolsas europeias esta quarta-feira, véspera da reunião do BCE. Abertura de Nova Iorque no vermelho e crise catalã, sem compromisso à vista, empurram toda a Europa para terreno negativo. PSI 20 em Lisboa cai 0,84%. Madrid chegou a ganhar 0,7% para encerrar a perder 0,5%