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Costa, mestre-de-obras em Pedrógão, ouve queixas e promessas: “O bacalhau será nas casas”

O primeiro-ministro fiscalizou esta quarta-feira a reconstrução de várias casas atingidas pelos fogos de junho em Pedrógão Grande. Há atrasos e burocracias mas Marcelo vai conseguir juntar-se na Consoada às famílias atingidas pelos fogos, nas suas novas habitações

Largo da Devesa, Pedrógão. O sol de outono aquece a conversa dos idosos, à sombra das carvalhas por onde correm viaturas dos militares, GNR e Exército, e dos empreiteiros. Os mesmos que faltam nas serranias onde não há mãos a medir. Faltam empreiteiros, constatou o primeiro-ministro na visita que esta tarde efetuou aos concelhos devastados pelos fogos de junho na zona de Pedrógão Grande. O dinheiro também já está a correr e autarcas e populações não regateiam sorrisos. Nem conversas sobre os fogos.

Vale Cruz, em Figueiró dos Vinhos, é uma das aldeias onde o fundo REVITA já recuperou casas. “60 já estão, faltam 90. Tens que trazer mais empreiteiros que os que cá estão não têm mãos a medir”, desabafa um sorridente primeiro-ministro para o autarca de Figueiró dos Vinhos. Jorge Abreu acena, informa que a casa reabilitada “já foi com dinheiro do REVITA”, o fundo criado para a reabilitação e o casal de idosos sorri. “Está melhor?”, pergunta o primeiro-ministro. “Que sim mas falta cuidar das cabritas”, respondem os idosos. António Costa volta a entrar no autocarro e segue para Serzedas do Vasco, em Castanheira de Pera. Outra casa reconstruída numa conta que já vai em 72, diz João Paulo Catarino, da Unidade de Missão para o Interior.

Durante toda a tarde o primeiro-ministro constatou os sinais de reconstrução, numa visita destinada a “fiscalizar” o andamento dos trabalhos e com um aviso. “Não se fazem obras ilegais”. A burocracia ainda pesa mas a vontade de aligeirar também.

De manhã, em Coimbra, foi a vez das empresas que vão contar com 280 milhões euros, “colocados com rapidez no terreno para reconstruir" os territórios afetados pelos incêndios.

Na mesma tarde em que António Costa visitou as obras os autarcas reuniram com o Governo e houve mais sorrisos. “Já recebemos algumas verbas, para reposição de equipamentos municipais e vejo vontade de acelerar”, disse Farinha Nunes, presidente da Câmara da Sertã. José Brito, autarca na Pampilhosa da Serra, também está “otimista com a reconstrução das casas e com a estabilização das encostas” dizimadas pelos fogos. Nesta quarta-feira “foi aprovada mais uma candidatura” e o Governo estar no terreno “compromete e acelera” os trabalhos. Alda Correia, autarca de Castanheira de Pera concorda. “Há velocidade e vontade de adiantar algum dinheiro mas temos que proceder às candidaturas”, afirma.

Pedrógão Grande também respira reconstrução. Vale de Nogueira e Moleiro colocam sorrisos nos moradores e nas conversas. António Mota, chairman da Mota Engil, um dos grandes empreiteiros explica a Costa, em Vale Nogueira o andamento das obras nas cinco habitações permanentes que ali ficaram destruídas (duas totalmente, três parcialmente). “Prometemos que o bacalhau será nas casas”, diz, talvez a pensar nas palavras do Presidente da República que se comprometeu a passar a Consoada com as famílias atingidas pelos fogos de junho.

paulo novais /lusa

Voltemos à Devesa e às Carvalhas. “Estão a fazer”, dizem as idosas que aproveitam os últimos raios de sol deste outono. Nas serras, montanhas e vales já se nota algum verde, regenerado pela natureza. Nas florestas a ordem é para “reparar primeiro as linhas de água e sustentar as encostas, depois a reflorestação, ”, promete o ministério da Agricultura. E não haverá falta de dinheiro, garante o primeiro-ministro. "Essa tem que ser a última das nossas preocupações neste momento", disse António Costa, quando questionado sobre a possibilidade de os apoios aos territórios afetados pelos incêndios poderem afetar a meta do défice.

“A prioridade que temos neste momento é obviamente reconstruir o país, é apoiar as famílias, é apoiar a reconstrução das habitações, é apoiar a reconstrução do tecido económico", assevera o primeiro-ministro.

Na conversa com as populações em Pedrógão, a preocupação é outra. As perguntas do primeiro-ministro são sempre as mesmas e as respostas também. À questão “Tem havido falta de empreiteiros?” a reposta é invariavelmente positiva. “E os projetos para a reconstrução?”. “Sem atrasos”, ouve Costa. “Menos mau”, responde rápido o primeiro-ministro.