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Política

PSD aceita ser muleta de Rui Moreira no Porto

Rui Duarte Silva

Arrufos esquecidos para assegurar eleição de presidente da Assembleia Municipal e acordo de governação extensível às freguesias

Manuel Pizarro é o primeiro derrotado com a aproximação entre o PSD e o movimento de Rui Moreira. Em minoria no órgão deliberativo do município portuense, Moreira conseguirá, ainda assim, reeleger na próxima quarta-feira Miguel Pereira Leite como presidente da Assembleia Municipal, graças a um entendimento, extensível às Assembleias de Freguesia, negociado nos últimos dias.

Pizarro, incontactável durante toda a semana, tentou aliciar os restantes partidos, PSD incluído, para se juntarem no voto favorável à escolha de Luís Braga da Cruz para presidir à AM. Não obstante as tensões vividas durante a campanha eleitoral, resultantes da sobranceria de Moreira para com Álvaro Almeida, ou as críticas duras a Rui Rio ou Paulo Rangel, proferidas na noite eleitoral, o PSD, ao suportar Moreira, apostou no isolamento do PS. Reduzido à expressão mínima no executivo, tem seis representantes na AM, número mais do que suficiente para assegurar a eleição de Pereira Leite e a aprovação de documentos fundamentais para a governabilidade da CM, como os relatórios de contas ou os orçamentos. Tem seis representantes na AM, número mais do que suficiente para assegurar a eleição de Pereira Leite como primeira figura de um órgão onde se sentarão 21 representantes do movimento de Moreira, contra 25 dos restantes partidos (13 do PS, 6 do PSD, 3 da CDU, 3 do BE e 1 do PAN), e a aprovação de documentos fundamentais para a governabilidade da CM, como os relatórios de contas ou os orçamentos e outras propostas aprovadas pelo executivo.

Um elemento muito próximo do presidente da Câmara dizia esta semana ao Expresso não existir qualquer preocupação quanto à eleição de Pereira Leite. Na altura estavam já adiantadas as conversações com o PSD, estava assegurado o apoio do PAN e, sobretudo, até por o voto ser secreto, há a expectativa de que, mesmo sem ser necessário, alguns eleitos do PS acabem por votar na reeleição de Leite. De notar que bastam mais três votos ao movimento de Moreira para assegurar a maioria.

PSD precisa de “inteligência emocional”

Um dirigente da concelhia do PS reconhecia que “neste momento a situação está comprometida”, até por ainda esta semana, na Assembleia de Freguesia de Paranhos, a única com maioria, mas relativa, do PSD, ter sido anunciado a existência de um acordo entre as duas partes até agora desavindas. Rui Moreira só tem maioria na União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde. A única maioria do PS é em Campanhã.

“Inteligência emocional” é o que o PSD precisa de ter neste momento, dizia ao Expresso um ex-dirigente concelhio do partido. Trata-se, diz, de “algo que tem faltado ao PSD, que terá de perceber que o seu eleitorado não se transferiu para o PS, e está com Rui Moreira”. Por isso defende o acordo. Muitos tê-lo-ão julgado impossível, dada a preponderância de Rui Rio junto de alguns elementos da concelhia, que escolherá novos dirigentes em novembro.

João Semedo, eleito pelo BE, acreditava naquela hipótese, ao ponto de ter declarado esta semana que, com o seu poder de influência no PSD/Porto, Rio poderia, se quisesse, “travar este voto do PSD no candidato de Rui Moreira. É o que se espera de quem, muito recentemente, garantia não ser o PSD um partido de direita”.

Na CDU, a iniciativa de Manuel Pizarro foi acompanhada com interesse, embora sem grande entusiasmo, por desde início ter existido a convicção de que o PSD acabaria por se juntar a Rui Moreira. Como disse ao Expresso um dos eleitos daquela coligação, que faz um balanço muito negativo do mandato de Pereira Leite à frente da AM, nunca seria pela falta de apoio da CDU que Braga da Cruz não seria o escolhido.