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Ministra não se demite: “Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive”

É preciso pensar seriamente sobre o sistema da Proteção Civil e reordenar a floresta, o que vai levar “muito tempo”, diz a ministra da Administração Interna. Quanto à sua demissão, não é a resposta: “É tempo de ação”, reagiu Constança Urbano de Sousa aos jornalistas, momentos depois de se ter confirmado a subida do número de mortos nos incêndios

"Acho que este não é o momento para a demissão, é o momento para a ação. Ir-me embora seria o caminho mais fácil, ia ter as férias que não tive". Foi assim a resposta de Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna, quando questionada sobre se, à luz dos incêndios que começaram este domingo e que já fizeram 27 mortos, ponderava demitir-se.

Foi, aliás, a terceira vez a que respondeu à mesma pergunta, com formulações diferentes, de "tem condições para se manter no cargo?" a "sente-se confortável a manter as suas funções?". Impaciente, a governante respondeu pelas três vezes que a demissão "não iria resolver o problema", lembrando que as suas funções são "naturalmente, extremamente difíceis" e que por isso o caminho "mais fácil" a seguir seria a demissão.

Falando à saída de uma reunião da Comissão Nacional de Proteção Civil na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, Constança Urbano de Sousa tentou dar as respostas sobre o que falhou naquele que já é considerado o pior dia de incêndios do ano e uma situação só comparável ao verão de 2006, apesar de estarmos já a meio de outubro. "O que está a falhar já falha há muito tempo, que é a prevenção estrutural. Não se faz nem de um dia para o outro nem de um ano para o outro. Vai demorar muito até termos uma floresta ordenada", frisou.

As "novas condições meteorológicas", que fazem prever que "cada vez vamos ter mais" incêndios de grandes proporções, a seca, os ventos do furacão Ophelia, a origem humana (seja criminosa ou negligente, com as queimadas, por exemplo) foram alguns dos fatores apontados durante a declaração aos jornalistas, admitindo que é preciso fazer "uma reflexão séria sobre a adequação do sistema da Proteção Civil" a essas novas condições que afetarão não apenas Portugal, como sublinhou. Mas, num dia com 525 ocorrências, garantiu que "não há nenhum sistema que permita chegar a cada uma das pessoas".

Sobre consequências políticas - a mesma pergunta a que António Costa respondeu, no mesmo local, esta madrugada, dizendo que é "infantil" considerar que retirar consequências políticas é demitir a ministra - lembrou estar "empenhada a trabalhar. Estamos a viver uma situação absolutamente extraordinária". E aproveitou para deixar uma palavra de solidariedade às famílias das vítimas e outra de apoio aos operacionais no terreno.