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Brexit: “Negociações estão a patinar”

Ministro Santos Silva não vê progressos suficientes nas negociações entre a UE e o Reino Unido que justifiquem a passagem a uma segunda fase, conforme o previsto

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O processo de saída do Reino Unido da União Europeia é ainda “muito incerto”, disse ao Expresso o ministro dos Negócios Estrangeiros, referindo-se ao facto de as negociações entre as duas partes não estarem a evoluir e já terem passado sete meses desde que Londres anunciou formalmente que iria iniciar o processo de saída.

Essa razão é apontada por Santos Silva como crucial para que o Governo português não recomende a passagem à segunda fase das negociações na reunião do Conselho Europeu que se realizará na próxima semana. "As negociações começaram bem mas têm 'patinado', o seu ritmo travou, o que é um motivo de preocupação porque o tempo corre", afirmou.

"O Conselho Europeu de outubro tem a responsabilidade de fazer a primeira avaliação do processo, declarou o ministro. "Ficou decidido que nós [na UE] distinguiríamos o acordo sobre a saída do Reino Unido do momento em que discutiríamos o acordo pós-saida, mas combinámos também que, se houvesse desenvolvimentos importantes no acordo sobre a saida poderiamos começar já a fazer algum trabalho no outro acordo".

Para o ministro, o que acontece é que esse movimento não parece ter ainda ocorrido: "vejo com dificuldade a passagem à segunda fase das negociações".

Santos Silva salienta ainda que ainda não conseguiu "perceber a dimensão do que significa o ‘Brexit’” e faz um paralelo entre este processo e um eventual ‘Catalexit’ (saída da Catalunha de Espanha), “que nunca poderá ser uma decisão soberana de um Estado”.

Brexit e Catalexit

Ambos os processos, todavia, colocam questões profundas à Europa, se bem que em planos diferentes. "O Reino Unido aderiu à então Comunidde Económica Europeia de forma relativamente tardia, a sociedade nunca aderiu a 100% e as posiçãos deste país foram sempre mais no sentido de valorizar o mercado unico e desvalorizar as dimensões politicas, as migrações, apostar mais na Europa como mercado e menos como união", disse ainda o ministro.

"Ao contrário, Espanha sempre se caracterizou por uma atitude muito diferente e de empenhamento total na União Europeia. O Brexit é uma decisão soberana de um Estado de abandonar a união de Estados, um eventual Catalexit não é isso, não é uma decisão soberana de um Estado", destacou.

O ministro considera também que a Europa como tal reagiu bem à situação na Catalunha, ao reagirem todos os países no mesmo sentido, colocando a questão no espaço próprio das escolhas que os espanhóis têm que fazer.

"Fomos muito rápidos a cortar com a ilusão que podia haver o processo de mediação como se se tratasse de diferendo internacional e quando, a 1 de outubro, se viram imagens na televisão mostrando uma confrontação que não é habitual ver na Europa, vários de nós disseram que era preciso ver o que se estava a passar com atenção", disse.

Sobre a posição de Portugal, Santos Silva realçou que quer um acordo forte com o Reino Unido, sobretudo na área da segurança e defesa, “o que tem como consequência uma ainda maior cooperação entre a UE e a NATO”.

Assinale-se que o presidente da Comissão afirmou na sexta-feira que "se a Catalunha se tornar independente, outros fariam o mesmo", o que não lhe agradaria.

Jean-Claude Juncker discursava na Universidade do Luxemburgo e foi citado pela agência EFE: "Não me agradaria que daqui a 15 anos a União Europeia fosse formada por 98 estados. Já é relativamente difícil com 28, não será mais fácil com 27, mas com 98 creio que seria impossível".