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Rui Rio com os dois pés no PSD e no país

lucilia Monteiro

Rui Rio acaba de lançar em Aveiro a esperada candidatura a presidência do PSD. Um discurso longo farto em recados para fora e dentro do partido. O que diz o candidato que irá enfrentar Santana Lopes em janeiro

Isabel Paulo

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Jornalista

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

Numa sala repleta de militantes, Rui Rio justificou porque só agora se candidatou: na política “palavra dada é palavra honrada”. Em circunstância alguma trairia o eleitorado do Porto. “Abandonar quem confiou em mim não faz parte do meu código de conduta. Se há coisa que a política em Portugal precisa é de um banho de ética. Não pode valer tudo”, declarou o candidato à liderança do PSD.

Num discurso longo carregado de recados para fora e dentro do partido, Rio defendeu que deixar o Porto em 2008 ou em 2010 seria “feio”. “Era utilizar o Porto que tanto respeito como trampolim para estratégias pessoais.”

Lembrou ainda Rio que na altura em que o desafiaram o PSD viveu momentos de relativa tranquilidade. “Não estávamos numa situação de crise. Hoje é diferente. Hoje temos de dizer com frontalidade: o PSD está numa situação particularmente difícil”. Para candidato a líder laranja, a situação se não for combatida já pode conduzir o partido a um patamar de menor relevância no quadro político nacional.

Hoje, Rio afirma que é o seu tempo próprio de estar com os dois pés no PSD nas próximas eleições internas de janeiro. “Hoje é o meu tempo. É tempo de servir o PSD num dos momentos mais difíceis da sua história”.

Rio, que 10 dias após a hecatombe autárquica não falará no líder demissionário, afirmou que é o momento certo para firmar uma palavra de respeito de gratidão a Pedro passos Coelho pelos serviços que prestou ao pais. “Comigo a presidente, o PSD não se esquecerá de Pedro Passos Coelho nem dos demais que serviram o partido de forma leal e altruísta”.

lucilia Monteiro

Rui Rio deixou ainda o aviso de que com ele a presidente não haverá ruturas geracionais. “Todos somos importantes. Os mais velhos pela experiência. Os mais jovens, que com o apoio dos mais velhos, constroem no presente um futuro melhor para eles próprios”, disse.

Sobre o partido a que quer presidir após um ano a preparar o terreno, Rio advertiu que o PSD não é um partido de direita. “O PPD que Sá Carneiro, Francisco Balsemão e tantos outros fundaram é um partido do centro que vai do centro direita ao centro esquerda. Não é nem nunca será um partido de direita como alguns o têm tentado caracterizar.

Em relação ao futuro, Rio avançou que tem a noção clara que o partido tem de definir um novo rumo. Um caminho que abra o partido à sociedade, atraia à militância ativa os jovens quadros de valor e também o povo anónimo, o mais lídimo intérprete da forma de ser português.

A conjuntura económica também não foi esquecida pelo ex-autarca conhecido pelas contas à moda do Porto. O país não se pode deixar hipnotizar por um conjuntura que por contrastar pela positiva com a crise recente tenda a iludir-nos quanto ao futuro. Portugal precisa preparar o futuro.

Para Rui Rio, o PSD tem de ser um agente de mudança. A situação em que o PSD e que o país se encontram não admite que se baixe os braços nem que se abandone a militância. O PSD é um partido de poder, não é muleta do poder. Por isso é hora de agir.

Rui Rio finalizou o discurso com o aviso de que este será o primeiro dia para a reconciliação dos portugueses e para Portugal será o princípio do fim desta coligação parlamentar que hoje periclitante nos governa”.

Na apresentação da candidatura não houve direito a perguntas dos jornalistas e foram poucos os notáveis do partido presentes. Montalvão Machado, Arlindo Cunha e Álvaro Amaro foram algumas das caras conhecidas, além dos líderes de sete distritais: Bragança, Vila Real, Viana do Castelo, Guarda, Aveiro, Portalegre e Leiria. A acompanhar Rio, estiveram a mulher e a filha adolescente.

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