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Miguel Pinto Luz não avança para a liderança do PSD

Nuno Botelho

Ex-presidente da distrital de Lisboa tinha apoiantes para um projeto de renovação geracional, mas decidiu que não tem espaço para avançar nesta disputa. Santana e Rio deverão ter luta a dois

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Miguel Pinto Luz, ex-presidente da distrital de Lisboa do PSD e vice-presidente da Câmara de Cascais, não vai candidatar-se à liderança do PSD. A decisão está tomada e foi comunicada ao PSD por uma fonte próxima do autarca de Cascais.

A eventual entrada em cena de Pinto Luz era a última peça que faltava colocar para ficar definido o tabuleiro desta disputa de liderança laranja. O seu nome foi lançado há um mês por Miguel Relvas, em entrevista ao Expresso, como um dos protagonistas para o futuro do PSD, a par de Luis Montenegro e Pedro Duarte. Com estes dois nomes fora da corrida, Pinto Luz poderia aproveitar o espaço livre.

O ex-presidente da distrital de Lisboa (saiu apenas em Junho) avaliou esse espaço, passou os últimos dias em contactos com eventuais apoiantes, já teria reunido nomes como José Eduardo Martins e Pedro Duarte, mas nas últimas horas decidiu não avançar.

"Ele entende que não reuniu as condições políticas para consubstanciar uma candidatura", diz uma fonte muito próxima, que pediu anonimato. Não lhe terão faltado apoios, mas não terá reunido os apoios todos que considerava necessários.

Por outro lado, a confirmação do avanço de Santana Lopes criou uma bipolarização em que Pinto Luz poderia ser o fiel da balança. Se, como avaliam os seus mais próximos, o autarca de Cascais fosse apoiado pelas faixas mais jovens do partido, isso poderia ser decisivo para retirar os apoios que Santana Lopes quer conquistar.

O peso de Pinto Luz não se faz sentir só entre os jovens, mas também na distrital de Lisboa - dois mercados eleitorais de que Santana precisa. Ou seja, uma candidatura de Pinto Luz poderia "oferecer" a vitória a Rui Rio. Ora, Rio apresenta-se rodeado pelos "consagrados" do PSD - e numa entrevista que deu em Julho ao Expresso, Pinto Luz insurgia-se precisamente contra a tradição do PSD "consagrar os consagrados".