Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

CDS questiona Governo sobre “resultados francamente maus” nas provas de aferição

Para os centristas, medidas anunciadas para corrigir a situação passam “atestado de incompetência” aos professores

O CDS quer que o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, preste explicações sobre os resultados das provas de aferição dos alunos do 2º, 5º e 8º anos e sobre as medidas anunciadas pelo ministério, que o CDS considera passarem “um atestado de incompetência aos professores”.

Os resultados das provas, que não contam para a nota final, foram conhecidos na semana passada e traçaram um cenário negro: entre os estudantes do 8º ano, por exemplo, mais de 80% tiveram dificuldades ou não conseguiram dar respostas apropriadas nas provas de Ciências Naturais e Físico-Química, e 70% mostraram dificuldades na Gramática.

Em reação a estes resultados, o ministério decidiu avançar com um conjunto de iniciativas que passam por dar mais formação aos professores, e o secretário de Estado da Educação, João Costa, disse mesmo aos jornalistas que “ninguém pode ficar tranquilo quando tem um conjunto alargado de alunos que não aprende com qualidade”.

No entanto, os centristas levantam dúvidas sobre a interpretação dos resultados destas provas – que foram introduzidas no 2º, 5º e 8º ano já pelo ministério liderado por Brandão Rodrigues, defensor de provas a meio do ciclo para detetar possíveis dificuldades mais cedo – e sobre as medidas a tomar. “O CDS desde o anúncio da alteração do sistema de exames se manifestou contra e apreensivo com a alteração, porque entendíamos que ia ser um mau instrumento de compreensão do que está a ser ensinado e aprendido”, diz ao Expresso a deputada Ana Rita Bessa.

A centrista sublinha que, por não contarem para a nota, estas provas podem levar a alguma “displicência e aleatoriedade nas respostas” da parte dos alunos, acrescentando que o CDS sabe pelo contacto com as escolas que “não houve nenhuma preparação em particular, não foi dada importância” a provas que os alunos sabem que “não atrasam nem adiantam”.

“Os resultados foram francamente maus”, confirma a deputada, o que, para o CDS, traça dois cenários possíveis: “Ou os alunos e os professores perderam capacidades para ensinar e aprender face aos últimos exames, em que não havia resultados tão dantescos”, ou foi mesmo menor a importância dada a estas provas.

CDS acusa ministro de contradições

Na pergunta já submetida ao ministério da Educação, o CDS refere esta “descontinuidade” dos “resultados verificados entre as provas de exame e de aferição”, falando sobre “os alunos não serem incentivados a considerar as provas como um elemento relevante”. E acusa o ministério de se contradizer, dando importância a uma prova específica quando “usou muito o argumento de que os exames são um instrumento redutor e que neles se joga a vida dos alunos”.

Sobre as medidas a tomar, o CDS aponta para a necessidade de dar mais “autonomia e responsabilização” às escolas, rejeitando soluções “centralizadas” que diz passarem “um atestado de incompetência aos professores”. “Se as escolas devolverem o resultado de que é preciso dar formação a professores sobre determinado conteúdo, e que isso não venha de decisão do ministério da Educação, então tudo bem”, detalha a deputada, que defende que não se “canalizem soluções só para um lado, porque pode acontecer que os professores precisem de apoio mas os alunos também precisarão”.

“Parece muito curto assumir que os resultados são o que são sem mais análise crítica das condicionantes”, conclui a centrista, numa altura em que a pergunta dirigida ao ministério da Educação já foi submetida. “Gostaríamos de ouvir o ministro sobre isto”. O Governo deverá agora responder num prazo de 30 dias.