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Santana já falou com Costa e já fez convites para a campanha

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Provedor da Santa Casa tem tudo pronto para avançar para a liderança do PSD. Já falou com Costa e Vieira da Silva, que não levantaram obstáculos a um “Direito cívico”. E já fez convites para a máquina de campanha

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Pedro Santana Lopes ainda não fechou a decisão sobre uma eventual candidatura à liderança do PSD, mas já está a convidar colaboradores para a sua estrutura de campanha. Ao que o Expresso apurou, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa está “90%” inclinado para uma candidatura contra Rui Rio, e até já fez convites a pessoas de sua confiança para integrarem a futura direção de campanha.

Outro obstáculo para uma candidatura já foi superado: Santana já conversou com António Costa e com o ministro Vieira da Silva, por causa da sua situação na Santa Casa. O Expresso sabe que nem o primeiro-ministro nem o ministro da Solidariedade e Segurança Social (que tem a tutela direta da Misericórdia) levantaram dificuldades. Reconheceram a Santana o “direito cívico” de participar na vida partidária e política. Mas não ficou fechado o que acontecerá em relação ao mandato que Santana ainda está a cumprir na SCML - os estatutos não prevêem a figura da suspensão, apenas a renúncia.

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O anúncio da decisão de Santana poderá ser feito nas próximas horas, tendo em conta que esta noite o Conselho Nacional do PSD aprova a data das eleições diretas e do congresso, e na quarta-feira Rio formaliza o seu avanço, numa declaração marcada para Aveiro. Pelo meio, terça-feira à noite, Santana tem a sua rubrica semanal de comentário político, na SIC Notícias. Recorde-se que foi nesse espaço que o provedor confirmou, na semana passada, que está a avaliar as condições para uma candidatura à liderança do PSD.

Entre o círculo mais próximo de Santana Lopes a convicção é que este acabará mesmo por enfrentar Rui Rio, que surge rodeado de alguns dos sociais-democratas que mais se empenharam em combater Santana quando este chefiava o partido e o Governo, em 2004/2005. Recorde-se que Manuela Ferreira Leite e José Pacheco Pereira foram dois dos críticos internos que empolaram, nessa altura, a teoria da “má moeda”, veiculada por Cavaco Silva para pressionar o afastamento do Executivo de Santana.

Para além de ter estado em Belém, a convite de Marcelo Rebelo de Sousa, o ex-primeiro-ministro prosseguiu esta segunda-feira os contactos com estruturas do PSD, autarcas do partido e sociais-democratas ligados ao setor social, para arregimentar apoios.

Apesar do lado de Rui Rio já reclamar apoios de peso entre as grandes estruturas locas do PSD - nomeadamente em grandes distritais como Aveiro, Braga, Porto e Viseu -, os santanistas acreditam que muitos desses votos serão divididos no caso de haver uma candidatura do antigo líder do partido.

Santana conta ainda com forte apoio no distrito de Lisboa - a concelhia da capital tem um setor favorável a Rio, mas a distrital é dirigida por Pedro Pinto, velho aliado de Santana. Outra figura de peso em Lisboa, o ex-líder distrital Miguel Pinto Luz, tem sido sondado pelos santanistas. Porém, o próprio Pinto Luz está a medir o espaço para apresentar a sua candidatura à liderança.