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“El País” diz que Isaltino, o ‘Frauderman’, é um grande exemplo de “ressocialização”

Marcos Borga

“Isaltino, o autarca corrupto que os portugueses adoram”. É este o título do artigo que parece querer mostrar aos espanhóis que para todos os políticos locais, igualmente condenados a penas de prisão por negócios no ramo imobiliário, também poderá haver esperança de uma bem sucedida ‘reinserção’

Escrito com ironia, o artigo que o “El País” dedica este domingo à grande vitória de “Isaltino, o autarca corrupto que os portugueses adoram”, apresenta aos leitores espanhóis o peculiar e espantoso regresso do político português ao município de Oeiras, após ter sido condenado e preso por crimes relacionados com o mesmo cargo e para o qual foi reeleito nas recentes autárquicas.

“Alguém que pusesse um pé fora de Lisboa, podia ler em grandes cartazes que Isaltino estava de volta”, refere o artigo, ressalvando que para quem não esteja a par da história o caso pode causar alguma perplexidade. O jornal diz mesmo que a capacidade do político em conseguir reerguer-se desta forma faz parecer tratar-se de um autêntico “Super-Homem”.

“Em 2009, ele foi condenado a sete anos de prisão, a uma multa de quase meio milhão de euros e à perda de cargo público. Em suma, foi condenado por conceder licenças aos construtores e o dinheiro apareceu numa conta na Suíça”, descreve o “El País”, que realça que desde que se candidatou às primeiras eleições municipais, em 1985, Isaltino saiu sempre vitorioso.

“Isaltino, ‘Frauderman’, já tem a maioria absoluta de Oeiras, um município escondido numa bolha imobiliária para felicidade do seu autarca”, refere ainda o artigo, antes de estabelecer um paralelismo com a situação em Moçambique, onde, no mesmo dia em que decorreram as autárquicas em Portugal, a Frelimo, no poder, “decidiu que o partido corrupto não deveria ser condenado ao ostracismo, mas pelo contrário era necessário 'ressocializar'”.

“Isaltino é o grande ressocializado de Portugal”, conclui o artigo. Mas apesar da comparação ser feita com o que se passa em Moçambique, nas entrelinhas fica subentendido que para os políticos espanhóis igualmente condenados a penas de prisão por negócios no ramo imobiliário também poderá haver esperança de uma bem-sucedida ‘reinserção’.