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Montenegro decidiu: não se candidata a líder do PSD

LUÍS FORRA / Lusa

O ex-presidente do grupo parlamentar invocação "razões pessoais e políticas" para não entrar na corrida à sucessão de Passos Coelho. "Passismo" vira-se para Paulo Rangel

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Luís Montenegro não se vai candidatar à liderança do PSD. "Após a reflexão que fiz entendo que, por razões pessoais e políticas, não estão reunidas as condições para, neste momento, exercer esse direito", diz o ex-líder parlamentar do PSD, num comunicado enviado esta noite aos órgãos de comunicação social. Montenegro sai de cena, deixando caminho aberto a Paulo Rangel - mas declara, desde já, que não dará apoio público a qualquer candidato

Montenegro não o explica, mas o Expresso sabe que a principal questão "política" que travou o ex-presidente da bancada social-democrata é a percepção de que está demasiado "colado" a Passos Coelho, depois de seis anos como o principal rosto do partido no Parlamento.

No mesmo comunicado, o responsável social-democrata declara que participará "ativamente nesse debate interno", mas assegura que manterá "total equidistância face às candidaturas que vão surgir". Apesar disso, promete "dar contributos e partilhar reflexões que os candidatos aproveitarão, se assim o entenderem". E não deixará, "como militante de base", de fazer a sua opção.

Quando a sucessão de Pedro Passos Coelho está dominada pela questão dos nomes, Montenegro deixa um aviso: "Num momento em que o País é dirigido por uma maioria de esquerda que não tem uma visão estratégica para o nosso futuro colectivo e que não tem limites à sua ânsia de poder, é determinante que o PSD não fulanize o debate interno e que seja capaz de discutir as ideias e os projectos que deveremos apresentar aos portugueses."

E agora, Rangel?

Luís Montenegro era a primeira escolha do setor "passista", mas também de gente que já estava longe de Passos, como Miguel Relvas. Agora, o "passismo" e o PSD que não quer Rui Rio olham para Paulo Rangel como o melhor nome para dar luta ao ex-autarca, o único pré-candidato já em campo.

Rangel fez, na terça-feira, no Conselho Nacional, um discurso em que se demarcou das teorias de Rui Rio sobre a necessidade de grandes consensos nacionais, defendendo, pelo contrário, que o PSD não pode abdicar de ser oposição frontal a este Governo. E, numa frase muito aplaudida, renegou qualquer ideia de um futuro Bloco Central. O discurso de Rangel foi, também, marcado por rasgadíssimos elogios à herança deixada por Passos.

O eurodeputado, por outro lado, foi alvo de referências elogiosas de Passos Coelho, bem como de Marco António Costa. Uma coincidência que foi lida como bastante mais do que isso - como o sinal de que a sua candidatura será bem vista pela direção cessante.

Há ainda outro nome à espreita de ter espaço para se poder candidatar: o ex-líder do PSD, e ex-primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes.