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Bloco “vai bater-se por maiorias de esquerda” nas autarquias

NUNO FOX / Lusa

Catarina Martins não comenta rejeição dos comunistas a eventuais geringonças autárquicas e diz que o BE está “disponível para isolar a direita” nos municípios onde não existam maiorias absolutas. Lisboa pode ser um desses casos, desde que existam “acordos programáticos à esquerda”

O Bloco de Esquerda está disponível para negociar com o PS um conjunto de "maiorias de esquerda" nas autarquias onde os socialistas não tenham obtido maioria absoluta.

Horas depois de o PCP ter rejeitado esse cenário, na sequência do resultado das eleições autárquicas de domingo – onde os comunistas perderam 10 câmaras, nove das quais para o PS – a coordenadora do Bloco diz que o seu partido "vai bater-se pela criação de maiorias com base em acordos programáticos à esquerda" e que se manterá "disponível para isolar e contrariar a direita".

Sem comentar diretamente a posição esta terça-feira assumida pelo PCP, Catarina Martins nota, no entanto, que os comunistas não colocaram de parte "acordos pontuais em cada concelho". E reitera que "é importante que à esquerda se encontrem entendimentos em autarquias". "As realidades no país são diferentes, cada concelho é um caso. Mas é preciso debater bases programáticas na habitação, transportes, ambiente, ordenamento do território... É possível em cada concelho que os eleitos do Bloco de Esquerda façam propostas concretas no sentido de fazer caminho à esquerda".

Um desses acordos poderá ocorrer em Lisboa, onde "retirar maioria absoluta" ao PS "foi objetivo atingido" pelo Bloco. "Ricardo Robles será um vereador imprescindível para Governo com acordo à esquerda" antecipa Catarina Martins, sem confirmar se existem já contactos, ou não, entre Fernando Medina e os bloquistas para ponderar um eventual acordo.

O que a coordenadora dos bloquistas deixa certo é que qualquer acordo terá sempre de ser construído "com bases programáticas". "O primeiro debate não é sobre pelouros, mas sim sobre programas", diz, dando como seguro que nos próximos dias existam conversas entre as duas partes. E nesses encontros, o Bloco manterá na agenda os "temas essenciais" que abordou na campanha: "Creches, transportes, a taxa turística a reverter para a cidade, a habitação", exemplifica. "As conversas ocorrerão nos próximos dias. Mas é preciso que quem ganhou tenha vontade de as fazer".

Espaço negocial com PS mantém-se

Numa conferência de imprensa realizada esta manhã na sede do partido, em Lisboa, depois da reunião na noite da véspera da comissão política do Bloco, Catarina Martins voltou a assumir, tal como já tinha feito na noite eleitoral, que o Bloco teve um resultado "modesto" nas autárquicas. Mas fez também questão de sublinhar que o partido "cresceu em votos e mandatos", "recuperou vereadores" em municípios onde os tinha perdido antes – como foi o caso de Lisboa – e "tem hoje eleitos em locais onde antes nem candidaturas tinha".

"O Bloco de Esquerda assume que tem um resultado modesto nas autárquicas. Mas fizemos um grande caminho, crescemos em votos e mandatos e esse é um caminho positivo. Não pode ser lido de outra maneira", responde. "BE preferia ter um resultado maior. Mas há uma diferença entre ter um resultado modesto e um mau resultado", insiste, defendendo que este resultado "traz novas responsabilidades" ao partido e recusando a ideia de que o reforço do PS nestas eleições possa ter impacto nas relações entre BE, PS e PCP na maioria de esquerda que sustenta o Governo.

"Os resultados de um acordo à esquerda no país e a perceção de melhoria de vida concreta das pessoas fez com que a direita tenha tido derrota pesada. Mas as eleições autárquicas são bem diferentes de legislativas. O Bloco mantém o seu compromisso de fazer cumprir os compromissos que assinámos em 2015", disse esta manhã Catarina Martins, sublinhando que "o país reconhece esse acordo como importante".

Depois de defender que "não há nenhuma razão para não se manter o espaço negocial" entre os três partidos até ao fim da legislatura, a coordenadora do BE recordou que há ainda "um Orçamento do Estado para negociar" com "dossiês complicados", nomeadamente no IRS, pensões, subsídio de desemprego , investimentos nos serviços públicos, descongelamento de carreiras, integração de precários, e legislação laboral. "O BE mantém a mesma determinação desde o primeiro dia em cumprir esses acordos", concluiu.

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