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Política

PS diz que derrota da CDU nas autárquicas “não afeta a solidez” da maioria de esquerdas

Ana Catarina Mendes reage às projecões que dão a vitória a Fernando Medina em Lisboa.

José Carlos Carvalho

Secretária-geral adjunta do PS defende que a atual maioria parlamentar que sustenta o Governo, entre PS, PCP e BE, “não sai beliscada” com o resultado das autárquicas. Socialistas desvalorizam impacto da perda de 10 câmaras da CDU – nova das quais para o PS – e insistem que o grande derrotado da noite “foi o PSD”

Um dia depois de António Costa ter reclamado para o PS "a maior vitoria eleitoral da sua história", a secretária-geral adjunta do partido, Ana Catarina Mendes, veio ilustrar com números definitivos o retrato do triunfo socialista nas autárquicas de domingo. O PS "foi o partido mais votado em 16 dos 18 distritos", "o partido mais votado nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto" e obteve "159 câmaras em listas próprias, mais duas em coligações no Funchal e Felgueiras" e "quatro municípios com listas independentes apoiadas" por socialistas.

"Foi uma vitória histórica que ninguém pode contestar", repetiu, depois de defender que os portugueses "corresponderam" ao pedido de "mais força para o PS", feito durante a campanha, "exprimindo vontade de continuar caminho" iniciado pelo governo socialista há dois anos. "Atingimos todos os objetivos: mais votos, mais câmaras, mais freguesias, a liderança da Associação Nacional de Municípios e da Associação Nacional de Freguesias".

Elencada a base da vitória histórica do PS - numa declaração feita na sede do partido, no Largo do Rato, em Lisboa -,vieram as perguntas dos jornalistas. E a maioria delas ficou-se na outra face da moeda do impacto do sucesso governativo nos resultados das autárquicas. Não será a derrota da CDU, com a perda de 10 câmaras, nove das quais para o PS, um 'problema' para o Governo?

"O PS e os partidos [da esquerda] têm demonstrado ao longo de dois anos a solidez desta solução governativa. Muitos acharam que não era possível chegar aqui", argumentou, Ana Catarina Mendes, convicta de que "não sai beliscada destas eleições". "Tem ainda mais força para que possa prosseguir o rumo que iniciamos há dois anos", acrescentou, sustentando essa posição no facto de já ter ouvido "a CDU a dizer na Antena 1 que não está em causa a solução governativa".

A essas certezas, e sem nunca referir-se diretamente às câmara 'roubadas' pelo PS à CDU - como Almada, Barreiro, Beja, Castro Verde ou Constância -, a secretária-geral adjunta juntou também a ideia de que "a leitura destas autárquicas" deve fazer-se sobretudo numa perspetiva que cruza "o mérito dos candidatos locais" e o "desgaste natural" de quem antes estava no poder.

Ou seja, e tal como Costa já ontem defendera, a vitória do PS não deve ser entendida como uma derrota da CDU.

Porque essa será uma visão mais útil para os equilíbrios da geringonça, mas também porque para os socialistas não existem grandes dúvidas sobre quem foi o verdadeiro derrotado da noite eleitoral de domingo. E se no caso dos comunistas as leituras nacionais às eleições de domingo são entendidas pelos socialistas como abusivas, há outros planos em que essa perspetiva mais global é abraçada com afinco: "A direita e em particular o PSD sofre uma derrota estrondosa. A receita da direita voltou a ser derrotada nas urnas", contrapôs Ana Catarina Mendes.