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Presidente da Comissão de Defesa acusa Costa de obstruir investigação de Tancos

Tiago Miranda

Marco António Costa diz que a notícia revelada este sábado pelo Expresso sobre um ralhete do chefe do Governo a deputados socialistas a propósito de Tancos é "muito preocupante". E, em Lagos, onde está em campanha, António Costa afirmou esta manhã desconhecer o relatório das secretas militares sobre o roubo de material militar

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O presidente da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional (CPDN), Marco António Costa, acusa o primeiro-ministro, e o Governo, de quererem obstruir o trabalho dos deputados na investigação aos desaparecimento de material militar dos paióis nacionais de Tancos.

Reagindo à notícia da edição impressa do Expresso deste sábado - segundo a qual António Costa deu um puxão de orelhas aos deputados do PS, pelo seu papel ativo na exigência de mais informação ao Ministério da Defesa -, o dirigente social-democrata e presidente da CPDN declarou: "as afirmações do senhor primeiro-ministro na reunião do grupo parlamentar do PS, relatadas no Expresso, a serem verdade, são de uma enorme gravidade institucional e revelam uma vontade do Governo em obstruir o trabalho de fiscalização do Parlamento."

Choque com Marcelo e com a AR

Para Marco António, "parece evidente que o sr. primeiro-ministro, com tais afirmações, parece que defende uma estratégia de ocultação de informação ao Parlamento e com isso impedir que este cumpra a sua obrigação de apurar politicamente como foi possível um tão grave furto de armas, as falhas já constatadas de reacção a tal furto, e ainda o que deverá ser feito para evitar que tão graves quebras de segurança não possam vir a ocorrer no futuro".

Nas declarações que fez ao Expresso, o presidente da Comissão de Defesa vai mais longe e considera que "claramente o sr. primeiro-ministro e o Governo estão em choque frontal com a postura institucional do Senhor Presidente da República e da AR". Lembrando as declarações já feitas por Marcelo Rebelo de Sousa e por deputados de todos os partidos, Marco António Costa frisa que "estes dois órgãos de soberania desejam que se apure tudo e que nada fique por esclarecer - e o Governo está claramente num exercício de obstrução ao trabalho de tal apuramento".

Reação institucional do Parlamento

Marco António Costa sublinha ainda que esta atitude do chefe do Governo "é algo muito preocupante que deverá merecer uma reac«ção institucional do Parlamento".

Recorde-se que, de acordo com a notícia do Expresso, o PM criticou explicitamente os deputados socialistas por irem "a reboque de Marco António Costa" em diversas iniciativas tomadas pela CPDN para tirar a limpo o desaparecimento de armamento depositado em Tancos.

Entretanto, em Lagos, onde se encontra em ações de campanha eleitoral, António Costa disse na manhã deste sábado que desconhece o relatório das secretas militares sobre o roubo de Tancos noticiado este sábado pelo Expresso e acrescentou que não ia fazer qualquer comentário a este propósito durante o evento em Lagos.

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