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Passos: “Temos de comprar o Expresso para saber o que é que se passa no país?”

PAULO CUNHA / LUSA

Líder da oposição reagiu à manchete do Expresso acusando o Governo de ocultar informação, desrespeitar o Parlamento e ter tiques de autoritarismo. E puxou Marcelo para a conversa

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Pedro Passos Coelho reagiu este sábado com indignação à manchete da edição do Expresso, que dá conta de um relatório da secreta militar muito crítico da atuação do ministro da Defesa e do Exército no caso do roubo de armamento em Tancos. O líder do PSD acusou o Executivo, e em particular António Costa, de tudo fazerem para ocultar informação ao país e ao Parlamento, sobretudo quando há alguma coisa que "possa ser incómoda ou uma chatice para o Governo".

"Temos de comprar o Expresso ao sábado para saber o que é que se passa no país, o que é que se passa com o Orçamento, o que é que se passa nas Forças Armadas e nos paióis militares? Temos de andar hoje a comprar o Expresso, ou amanhã outro jornal, para termos as notícias que o governo tem a obrigação de prestar ao Parlamento? Levamos dois anos quase desta maneira de estar e de governar", insurgiu-se o presidente do PSD, falando num almoço de campanha autárquica em Marco de Canaveses.

Passos considera que o documento noticiado pelo Expresso tem "graves acusações ao poder político e à própria instituição [militar]" sobre a atuação no caso de Tancos, e questionou se "o senhor Presidente da República teve conhecimento ou não deste relatório" - e explicou a referência porque a Presidência da República é um órgão de soberania, e com especiais responsabilidades em matéria de Defesa.

"Ralhetes" a quem quer transparência

Para além do relatório da secreta militar, que não era do conhecimento da oposição, Pedro Passos Coelho referiu-se a outra notícia do Expresso deste sábado, que dá conta de um puxão de orelhas de António Costa ao seu grupo parlamentar, por não ter gostado da forma como os deputados do PS na Comissão de Defesa alinharam nas exigências de mais informação e transparência sobre o caso de Tancos.

"Há matéria grave que tem ocorrido e, sistematicamente o Governo, a começar no primeiro-ministro e a acabar nos ministros, oculta a informação que tem. E ainda, pelos vistos, dão ralhetes a quem no Parlamento faz com a oposição o coro de que é preciso ter acesso a essa informação."

Passos lembrou que "o Parlamento tem a obrigação de fiscalizar o Governo", pois "isso é que é a democracia", "o pluralismo e o controlo democrático". Porém, diz, "o Governo vai ao Parlamento muitas vezes, mas de cada vez que lá vai desrespeita o Parlamento, porque não responde às perguntas que são feitas".

Os ministros "desconversam, não dizem nada" e "o Governo tem tiques de autoritarismo", acusou Passos, bastante aplaudido nestas acusações por centenas de pessoas que enchiam o restaurante onde se realizou o almoço de apoio ao candidato José Mota.