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“Azia da direita” não pode travar grandes obras

Luis Barra

Bloquistas dizem que ideia da maioria de 2/3 para aprovar grandes investimentos “teria ficado bem esquecida”

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Luís Barra

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Fotojornalista

A proposta não foi recebida com surpresa porque, como recorda a coordenadora do Bloco de Esquerda, “já constava do Programa de Governo”. Para Catarina Martins, a ideia de garantir uma maioria de 2/3 no Parlamento para aprovar os grandes investimentos estratégicos do país que devem captar apoios comunitários, já que “estava enterrada há muito tempo”, também “teria ficado bem esquecida”.

Rejeitando a análise à “parte cenográfica” sobre se é possível sentar na mesma mesa os parceiros da esquerda e os partidos da direita, Catarina Martins defende que “o que António Costa disse e me preocupa” é sobretudo o facto de não querer “discutir os investimentos à esquerda, mas à direita”.

Quando confrontada com o facto de o apelo à maioria de dois terços não excluir, à partida, o BE ou PCP, Catarina contrapõe: “Mas não há dois terços à esquerda, só com a direita.”

Feita essa análise, a coordenadora do Bloco insiste que “a discussão sobre esse caderno de encargos deve ser feita à esquerda”. “A maioria que existe no Parlamento não deve ficar sujeita ao veto da azia da direita. Existe uma maioria capaz de discutir planos de investimento a longo prazo e discutir o que são os investimentos e infraestruturas essenciais para o país. Deve fazê-lo com um amplo debate público, mas não faz nenhum sentido ficar refém de um veto da direita”, diz, antes de lançar nova crítica aos socialistas.

“Compreendo que há determinados modelos de negócio para fazer infraestruturas que, para o PS, seja mais confortável discutir com o PSD. Todos nos lembramos das PPP. E não será com o BE que [o PS] poderá fazer esse caminho. É uma questão de escolha.”

Questionada sobre quais os grandes investimentos em obras públicas que o Bloco considera prioritários, Catarina Martins sublinha o novo aeroporto de Lisboa, mas nota também que essa é “uma obra que precisa de mais estudo”. E destaca também a necessidade de colocar “a coesão territorial” do país no centro deste debate.

Nesse sentido, de resto, os bloquistas elegem a ferrovia — que “foi abandonada” —, como “o grande investimento do futuro”. Salvaguardando, no entanto, a necessidade de olhar para a ferrovia “não só como uma passagem do litoral para Espanha”, mas também como um instrumento “para ligar o próprio país entre si”. Porque isso ajudaria a “investimentos de outro tipo, como a industrialização do interior”, o que permitiria simultaneamente combater a desertificação do interior e o abandono “da produção florestal e agrícola”.