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Assunção Cristas pede demissão de ministro da Defesa

MIGUEL PEREIRA DA SILVA / LUSA

A líder do CDS-PP declarou este domingo que Azeredo Lopes “não tem a mínima noção do que é exercer o cargo que ocupa”, depois de o ministro ter levantado dúvidas sobre o furto de material militar em Tancos.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, pediu este domingo a demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, por considerar que a sua postura em relação ao caso de Tancos "não é admissível".

"O senhor ministro da Defesa Nacional mais uma vez veio mostrar que não tem a mínima noção do que é exercer o cargo que ocupa, que não tem estatura para o exercer, vem fazer perguntas, levantar dúvidas, quando aliás coloca a questão de que se calhar nem sequer há um furto. Dúvidas que só depreciam a instituição militar e que o colocam quase como um comum cidadão, como se nada soubesse e nada devesse saber", disse Assunção Cristas.

A líder nacional do CDS-PP falava aos jornalistas na Mêda, no distrito da Guarda, antes de participar na sessão de apresentação dos candidatos democratas-cristãos às eleições autárquicas de dia 01 de outubro, sobre as declarações do ministro da Defesa divulgadas este domingo numa entrevista conjunta ao jornal Diário de Notícias e à rádio TSF.

Na entrevista, referindo-se à falta de provas visuais, testemunhais ou confissão, Azeredo Lopes admite que "no limite, pode não ter havido furto nenhum", frisando que o inquérito em curso ainda não tem conclusões definitivas.

Para Cristas, "não é admissível" a postura do ministro da Defesa em relação ao caso de Tancos.

"E, portanto, se o ministro da Defesa não sabe, acha que não tem de saber, não quer saber, então, pois que saia do seu cargo. Se o senhor ministro da Defesa acha que pode ser um qualquer um cidadão que faz perguntas, mas que não tem nenhuma responsabilidade nas respostas, então deve sair do Governo e tornar-se um comum cidadão, porque não compreendeu ainda a natureza do seu cargo", acrescentou a presidente do CDS-PP.

Assunção Cristas disse ainda que o titular da pasta da Defesa "não compreendeu que a um ministro pede-se respostas, que é a ele que o povo tem de fazer perguntas e dele obter respostas e se não se sente bem nessas funções, se não as compreende sequer, então não está lá a fazer nada".

"As declarações do senhor ministro são inaceitáveis, são inadmissíveis, deixam-nos a todos absolutamente perplexos", rematou.

O CDS-PP já tinha anunciado que, na reunião da comissão parlamentar de Defesa agendada para terça-feira, irá propor que Azeredo Lopes também fale sobre Tancos quando se deslocar à Assembleia da República, provavelmente dia 20 de setembro.

No seu comentário semanal na SIC, Marques Mendes também abordou este tema, mas para relativizar a gravidade do que possa ter sido afirmado por Azeredo Lopes. Não obstante toda a polémica criada, o comentador considera as declarações do ministros naturais, ou razoáveis, no contexto em que foram proferidas.

Não deixou, porém, de invetivar o ministro a tomar a iniciativa de se dirigir ao Parlamento para prestar os esclarecimentos necessários. Até porque se não o fizer, "e como as pessoas não leram o contexto da entrevista, só leem uma frase, fica a ideia de que cada cabeça, sua sentença. Fica a ideia de que para o Chefe do Estado Maior do Exército no princípio era furto, e grave. Depois veio o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas dizer que era furto, mas já não era grave, e agora parece que não há furto. Não é a leitura correta, mas se o ministro não for rapidamente ao Parlamento, os incautos perceberão isto, com a instituição militar a ser tratada de uma forma inaceitável".

Após lembrar que o caso aconteceu já há dois meses, Mendes lançou uma série de questões, nomeadamente para saber onde param os resultados da investigação; se houve ou não furto; se teve a participação de "gente de fora ou de dentro do quartel e se a culpa vai morrer solteira". Para o comentador é importante que não haja um diluir de responsabilidades, de tal ordem que no final seja "um cabo, um sentinela, ou seja, o mexilhão, a pagar por isto".