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Ferreira Leite: “Impostos não podem castigar quem ganha muito”

No habitual espaço de comentário, a ex-ministra das Finanças defendeu, a propósito das negociações para o Orçamento do Estado para 2018, que a Constituição prevê que a cobrança de impostos seja “equitativa e não arbitrária”

Manuela Ferreira Leite considerou que os impostos serão um “ponto sensível” na discussão do Orçamento do Estado para 2018. Esta quinta-feira à noite, no habitual espaço de comentário da TVI 24, a antiga ministra das Finanças defendeu que os escalões do IRS vão levar a “uma discussão difícil”.

“Há uma grande discussão quanto aos escalões e para quem deve ser ou não reduzido. Não há forma de reduzir o IRS para uns sem aumentar para os outros”, disse Ferreira Leite. “A justiça social não é progressividade nos impostos. É também a liberdade e autonomia que cada um tem de ganhar quanto entender e puder. O ganhar muito não é criticável”, acrescentou.

Manuela Ferreira Leite justificou que a Constituição prevê que as pessoas sejam tributadas de “forma equitativa” e não “arbitrária”, sublinhando que definir o que é ganhar muito é algo subjetivo. “Não é certo que essa arbitrariedade traga mais justiça social. Os impostos não podem castigar quem ganha muito”, defendeu a ex-ministra.

Relativamente à greve na Autoeuropa, Ferreira Leite considerou que a intervenção dos sindicatos “foi um problema” e mostrou “a fragilidade do papel das unidades sindicais”. Para a comentadora, o sindicato “quis mostrar que existia” e “defender o seu prestígio à conta dos trabalhadores”.

“Não tenho dúvidas que, além do impacto que a empresa tem no país neste momento, a produção de um novo modelo foi fortemente negociada para que fosse feita em Portugal. Há aqui uma conquista que não pode deixar de ser registada como uma garantia de que nos próximos cinco anos está cá. Só vale muito dinheiro”, disse.

Ferreira Leite acrescentou ainda que quando o sindicato avançou com a paralisação, a comissão de trabalhadores já tinha negociado a contrapartida para que os funcionários da empresa alemã trabalhassem ao sábado. “Não estou a defender trabalhar ao sábado em troca de nada. Esse era um argumento sem realismo e que poderia trazer consequências de grande dimensão”, referiu.

Já sobre os vários casos que têm chegado a público relativamente às viagens pagas a funcionários do Estado, Ferreira Leite disse que “pode não haver nada de anormal” na situação.

“Está tudo na base da insinuação e isso é muito, muito perverso. A insinuação fica para a vida”, defendeu a ex-líder do PSD, sublinhando que “essas insinuações estão muito na boca dos deputados jovens”.

“É uma contribuição muito boa para não pôr em discussão os verdadeiros corruptos, porque andamos todos distraídos com coisas menores. E isso é muito devastador”, disse. “Provavelmente, é por quererem conquistar poder que estão a lançar insinuações por todo o lado. As insinuações dão a sensação que o país está doente”, acrescentou.