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Graça Fonseca agradece mensagens e ignora "palavras de ódio e desprezo"

nuno botelho

No Facebook, a secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa comentou entrevista dada ao DN em que assume homossexualidade: “Afirmar publicamente parte da minha identidade privada não é algo fácil ou que faça de forma leviana”

A secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa, Graça Fonseca, que assumiu a sua homossexualidade nesta terça-feira em entrevista ao "Diário de Notícias", explica que escolheu fazê-lo "como uma afirmação política, mas não por razões políticas ou partidárias", com o objetivo de "mudar mentalidades".

Num longo texto publicado na sua conta de Facebook, a governante detalha que, desde a publicação da sua entrevista, tem recebido "mensagens de esperança, de partilha de situações de discriminação, de agradecimento pelas filhas e filhos que recentemente assumiram a sua orientação sexual". E acrescenta que estas reações justificam a decisão que tomou: "Acreditem, afirmar publicamente parte da minha identidade privada não é algo fácil ou que faça de forma leviana. Prezo muito a minha privacidade, a minha liberdade, a felicidade das pessoas que me são próximas e que não quero que sejam atingidas por algo que sou ou faço".

Em resposta aos comentários nas redes sociais que a acusam de ter tido interesses políticos em fazer o anúncio, a secretária de Estado defende que "nunca cederia" a sua liberdade "por razões dessa natureza". "Importa-me pouco (mesmo nada) o que têm a dizer alguma personagens que, transitoriamente, ocupam lugares dirigentes em partidos políticos", prossegue, garantindo também que "pouco importam" os comentários nos jornais online e nas redes sociais que transmitem "palavras de ódio e desprezo por pessoas sobre as quais nada sabem (nem querem saber)".

As reações à entrevista em que Graça Fonseca falava de assumir a sua homossexualidade "como afirmação política" não se fizeram esperar e foram mistas. O deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim escreveu no Facebook: "Não age bem um governante que apenas fala de si, que usa a entrevista para tentar projetar-se a si mesmo, a sua vida privada e a sua sexualidade, como uma espécie de modelo de comportamento público". Já a ex-presidente da direção da ILGA, Isabel Fiadeiro Advirta, protagonizou uma das primeiras reações, mostrando-se "orgulhosa" da "coragem" de Graça Fonseca e do PS, "que em poucos anos ganhou o espaço necessário para acolher uma saída de armário de uma responsável pública, acrescendo a dois deputados [Miguel Vale de Almeida e Alexandre Quintanilha], sendo o primeiro e único partido, aliás".