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Marques Mendes: “Chefe do Governo e chefe da oposição, entendam-se rapidamente sobre o novo diretor do SIS”

O comentador disse que a entrevista de António Costa ao Expresso de sábado “foi um tiro falhado”, ao querer retomar a iniciativa política e marcar a agenda com temas “requentados”

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Três dias depois dos atentados na Catalunha, Luís Marques Mendes lembrou que é fundamental que o Serviço de Informações de Segurança (SIS) funcione bem para prevenir situações de terrorismo. “Chefe do Governo e chefe da oposição, entendam-se rapidamente”, recomendou o ex-líder do PSD no seu espaço dominical de opinião na SIC. E reforçou a ideia dizendo que “não pode haver guerrilhas partidárias numa matéria tão séria porque enfraquece os próprios serviços de informação”.

Em causa está o facto de o SIS continuar “há meses” à espera da nomeação de um novo diretor e as conversações entre António Costa e Pedro Passos Coelho não terem ainda conduzido a nenhuma resolução, “porque tem havido alguma objeção do líder do PSD, que quer resolver isto num pacote”.

A situação torna-se mais preocupante na sequência dos atentados terroristas recentes noutras cidades europeias, uma vez que, alerta o comentador, sem querer levantar “paranoia”, “ninguém pode prometer que Portugal está imune a esta ameaça”.

"Entrevista de Costa foi tiro falhado"

A grande entrevista de António Costa ao Expresso deste sábado foi outro dos temas abordados. Marques Mendes considera que “o primeiro-ministro investiu muito nesta entrevista, mas foi um tiro falhado”. E justifica: "António Costa quis retomar a iniciativa política e marcar a agenda ”— depois do que perdeu com a tragédia de Pedrógão Grande e no caso de Tancos — mas considera que os desafios propostos para um pacto para o investimento público depois das autárquicas “são requentados”. Para o ex-líder do PSD, Pedrógão continua a ser um “abcesso” que só será ultrapassado quando se apurar tudo o que aconteceu.

Com os incêndios a continuarem a devastar o país, Marques Mendes sublinhou que “as receitas do passado não são solução” e apontou alguns dos caminhos que vários especialistas em florestas e ordenamento do território têm sugerido, nomeadamente a necessidade de se criar “uma autoridade única que faça prevenção no inverno e combate no verão”.

As eleições autárquicas também estiveram na agenda do opinion maker, sobretudo a novela de Oeiras. Sem escondendo a sua simpatia pelo candidato Paulo Vistas, disse que ex-delfim de Isaltino Morais “foi um senhor, porque quis disputar as coisas no domínio da política e não no dos tribunais”, uma vez que não apresentou recurso no Tribunal Constitucional para barrar a entrada de Isaltino na corrida. E atacou este último ao sugerir que “as pessoas condenadas por crimes graves como corrupção, fraude fiscal ou branqueamento de capitais deviam ser impedidas por lei durante 10 anos de se candidatarem”.