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Onze ministros com negativa no exame

Caldeira Cabral continua firme como o pior aluno desta turma. Nem a economia o salva. Já Mário Centeno (Finanças), Adalberto Campos Fernandes (Saúde) e Vieira da Silva (Trabalho) são os ministros com as melhores notas, na sondagem do Expresso.

Martim Silva

Martim Silva

Diretor-Executivo

Se transportássemos a equipa ministerial de António Costa para dentro de uma sala de aula, esta seria uma turma sem alunos excelentes. Mas com vários cábulas. Manuel Caldeira Cabral era colocado num canto, virado para a parede e com um chapéu de orelhas de burro na cabeça. Outros seis ministros, Azeredo Lopes (Defesa), Ana Paula Vitorino (Mar), Constança Urbano de Sousa (Administração Interna), Tiago Brandão Rodrigues (Educação), Eduardo Cabrita (Adjunto do primeiro-ministro) e Castro Mendes (Cultura), levavam um grande raspanete e o sério aviso de que ou estudam a valer a matéria no próximo período ou a reprovação será certa. Outros quatro ainda, Manuel Heitor (Ciência), Matos Fernandes (Ambiente), Maria Manuel Leitão Marques (Presidência do Conselho de Ministros) e Capoulas Santos (Agricultura), embora periclitantes e abaixo da positiva (ou seja, longe de convencer), ficam a poucas décimas do ‘3’ e ganham o direito a pelo menos ir à oral.

Chegamos à parte de cima da turma, aos alunos ‘certinhos’. Ou, pelo menos, aos que tendo positiva têm a passagem de ano assegurada (embora com notas que são um aviso e obrigam a que não abrandem o ritmo). Estão aqui Pedro Marques (Transportes), Augusto Santos Silva (Negócios Estrangeiros), Francisca Van Dunem (Justiça).
Com 3,5 de nota, ou umas décimas acima deste valor, e portanto aproximando-se do ‘bom’ (mas com b muito pequeno) aparecem os três ministros com os quais até ver o ‘professor’ António Costa menos preocupações deve ter. Adalberto Campos Fernandes (Saúde) Mário Centeno (Finanças), Vieira da Silva (Trabalho). A Saúde é uma área muito pesada e difícil de gerir, ainda agora Adalberto Campos Fernandes se vê a braços com uma ameaça de greve dos médicos. Nas Finanças, os bons resultados com o défice fizeram com que as dúvidas à volta de Centeno rapidamente fossem desfeitas, a ponto de do Norte da Europa virem comentários sobre o “Ronaldo das Finanças”. Também o titular da pasta do Trabalho, além de ser política e tecnicamente muito sólido, tem visto os números do desemprego baixarem trimestre após trimestre.

Deixemos a sala de aula e voltemos à política, pois é de política que falamos. A sondagem que este mês realizamos visava perguntar aos portugueses o que pensam da atuação dos ministros de António Costa. Numa altura em que se voltou a falar e em força de remodelação governativa (definição da qual está obviamente excluído o chefe do Governo) — quer pela crise de Pedrógão e Tancos quer pelo ajuste feito na sequência da saída de três secretários de Estado que viajaram ao Euro-2016 a convite da Galp, quisemos saber quais os nomes que para os cidadãos eleitores mais mal se têm comportado e portanto mais perto estão da porta da saída. E, por outro lado, quais os mais sólidos e fiáveis com que Costa deve enfrentar a segunda metade da legislatura.

As respostas, e as notas obtidas através de uma média das votações (numa escala até 5) dadas pelos interrogados, mostram que os ministros que mais têm estado debaixo de fogo da oposição são precisamente aqueles que ficam na parte de baixo da tabela. Embora também se possa olhar para o assunto de outra forma: será que é por estarem na parte de baixo da tabela que são o alvo preferido do fogo da oposição? Assolados pelos casos de Tancos e de Pedrógão, reveladores de variadas fragilidades ao nível do Estado e da capacidade de resposta do Governo e das entidades públicas, os principais responsáveis políticos dos sectores aparecem no fundo da lista. Ali está também o jovem e muito fustigado ministro da Educação. Mas também aqui se encontram ministros que não tendo estado envolvido em polémicas nem sido particularmente criticados (Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino, o casal desta ‘turma’) podem ser prejudicados por serem dos mais discretos, dos que têm pastas menos visíveis e portanto dos que gozam de menor popularidade e notoriedade.

Claro está que falta aqui Manuel Caldeira Cabral. Não nos esquecemos dele. Mas a verdade é que o ministro da Economia (ele próprio professor universitário na sua vida ‘civil’) é um caso à parte. O que na escola se costumava apelidar de ‘caso perdido’. O grande cábula desta turma. A economia cresce, os números que o Governo tem para apresentar são bons, mas este parece ser um ‘aluno’ que não há forma de recuperar o tempo perdido.

Já em fevereiro, noutra sondagem, o Expresso tinha pedido aos portugueses para escolherem os três melhores e os três piores do Governo. Sabe quem era o último? Adivinhou (acrescento que no top 3 dos melhores estavam Vieira da Silva, Centeno e Santos Silva). Em vez de pensarmos no elenco de ministros como alunos numa sala de aula, podemos pensar nestes 17 nomes como fazendo parte de um boletim de apostas sobre a remodelação — Quem vai sair e quem se aguenta de certeza. Neste caso, não era preciso ser o oráculo de Delfos para adivinhar qual a aposta mais forte para ser remodelado.

FICHA TÉCNICA
Estudo de opinião efetuado pela Eurosondagem S.A. para o Expresso e SIC, de 27 de julho a 2 de agosto de 2017. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores selecionados e supervisionados. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando lares com telefone da rede fixa. A amostra foi estratificada por região: Norte (20,8%) — A.M. do Porto (13,5%); Centro (29,2%) — A.M. de Lisboa (26,6%) e Sul (9,9%), num total de 1011 entrevistas validadas. Foram efetuadas 1221 tentativas de entrevista e, destas, 210 (17,2%) não aceitaram colaborar neste estudo. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo, e desta forma resultou, em termos de sexo: feminino — 51,9%; masculino — 48,1% e, no que concerne à faixa etária, dos 18 aos 30 anos — 17,8%; dos 31 aos 59 — 50,4%; com 60 anos ou mais — 31,8%. O erro máximo da amostra é de 3,08%, para um grau de probabilidade de 95,0%. Um exemplar deste estudo de opinião está depositado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social

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