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Costa contorna bastiões comunistas

Abhishek Chinnappa

Secretário-geral já foi a mais de 20 apresentações de candidaturas autárquicas mas sem pisar até agora um bastião comunista

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

António Costa anda há vários meses a correr o país para apoiar os candidatos autárquicos do PS. Já foi à apresentação de, pelo menos, 24 candidatos mas sem pôr o pé em bastiões do PCP. Escolheu concelhos tão diferentes como Santarém, Paredes ou Portalegre, um é presidido pelo PS, outro pelo PSD e outro por uma autarca de um movimento de cidadãos. Por enquanto, manteve as distâncias de terreno do PCP, partido adversário nas eleições autárquicas mas parceiro em matérias de governação.

O mais perto que António Costa esteve do seu adversário vermelho na luta autárquica foi na semana passada, no Montijo — o único concelho da margem sul do Tejo que é presidido pelo PS. O secretário-geral aceitou estar presente no lançamento da recandidatura de Nuno Canta e logo ali ouviu críticas ao PCP. “As oposições não dialogaram e governámos com muitas dificuldades. O que peço é uma maioria clara depois do que aconteceu este mandato”, pediu o atual presidente e candidato do PS à Câmara do Montijo, Nuno Canta.

Ana Catarina Mendes, secretária-geral-adjunta do PS, desdramatiza quaisquer ilações a partir a do roteiro autárquico de Costa. A direção socialista tem insistido sempre que não há nenhum pacto de não agressão nas autárquicas entre os partidos que têm acordos a nível de matérias de governação. “O critério não é se a câmara é deste ou daquele partido”, explicou a secretária-geral-adjunta ao Expresso, acrescentando que António Costa tem “andado mais pelo norte” e que “quando for para o Alentejo irá também a concelhos liderados pela CDU”.

O aparelho do PS, contudo, vai anotando as presenças de Costa. Regista, por exemplo, que esteve num almoço comemorativo do 25 de Abril, em Grândola, terreno do PCP, mas não na apresentação do candidato socialista àquela câmara. E também há ‘ciúmes’, nomeadamente devido a medidas do Governo que alguns socialistas entendem que beneficiam autarcas do PCP, como o de Beja, pelo facto de o Conselho de Ministros ter autorizado uma alteração ao regime do aeroporto daquela cidade de modo a que lá se possam instalar empresas.

No final de maio, o dirigente comunista Jorge Cordeiro já tinha também garantido ao Expresso que o PCP rejeitava a ideia de qualquer pacto de não agressão com o PS nas autárquicas, defendendo que o acordo que sustenta a geringonça era “irrelevante” para as eleições de outubro. E assumiu mesmo o objetivo de roubar cerca de 15 câmaras aos socialistas. “Nós só podemos perder câmaras para o PS e ganhar câmaras ao PS. Não desistimos desse combate, como penso que o PS não desistiu”, disse então. Falta saber que coordenadas comunistas terá o (G)PS de Costa na campanha em setembro.