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Passos Coelho: “Tomar decisões não é para todos. Tem sido para nós e voltará a ser”

HOMEM DE GOUVEIA / Lusa

A festa do PSD no Chão da Lagoa voltou a juntar milhares que resistiram ao frio e ao vento para ouvir Albuquerque, Passos Coelho e depois Fafá de Belém, artista convidada. Entre uma poncha e uma selfie, Passos Coelho falou das “cigarras da política portuguesa” e do PSD que nunca falha quando “é preciso tomar decisões”

Marta Caires

Jornalista

“O PSD é o único partido verdadeiramente português e que luta pelos portugueses. Há tanta cigarra na política portuguesa, mas caramba quando é preciso tomar decisões não é para todos. Tem sido para nós e voltará ser”. Pedro Passos Coelho acabou assim o discurso no Chão da Lagoa, uma nota de esperança para o povo que este ano resistiu ao vento, ao frio e ao nevoeiro e aguentou com a bandeira na mão uma hora de discursos políticos. É certo que a seguir vinha Fafá de Belém, mas no Chão da Lagoa a política faz parte da festa.

O líder nacional dos sociais-democratas não se demorou muito, mas já que estava naquela que é, segundo o próprio, a festa do PSD que mais gente mobiliza no país, sublinhou a natureza popular do partido, esse tal partido português que não é liderado por cigarras e gente que apenas está preparada para as boas notícias. Não é como a geringonça que, quando alguma coisa corre mal, “foge às suas responsabilidades” e esconde-se atrás “política de comunicação”.

“A República exigir à Madeira mais do que paga ao FMI é injusto”

O PSD, o nacional e o da Madeira, dá a cara, toma decisões e não foge aos compromissos que assume. Passos Coelho não esqueceu onde estava, nem que o PSD-Madeira tem apenas quatro câmaras das 11 da região ou que António Costa esteve no Funchal a apoiar a candidatura de Paulo Cafofo. Mesmo na oposição, garantiu que com ele no governo já havia novo hospital e de certeza a Madeira estaria a pagar a mesma taxa de juro que a República pelos empréstimos feitos ao FMI. “A República estar a exigir à Madeira mais do que paga ao FMI é profundamente injusto”, ainda mais porque Lisboa perdoou mais de 600 milhões aos bancos há pouco.

Exemplos do modo de fazer política do PSD que não culpa o passado, os outros ou faz de conta e é um partido sem “cigarras”, pronto para o que der e vier e o que aí vem são as eleições autárquicas. Pedro Passos Coelho acredita num bom resultado nacional. Para a Madeira desejou boa sorte e deixou a Miguel Albuquerque os gastos para a política regional. E Albuquerque não pede pouco, quer ganhar todas as câmaras e todas as juntas de freguesia e sem “padrinhos de Lisboa”.

O PSD-Madeira parte em desvantagem, mas este domingo, em cima do palco, perante uma assistência que resistiu ao vento, frio e nevoeiro, classificou todas as câmaras como “incompetentes”, geridas por gente dada “ao paleio e à conversa fiada” incapazes de fazer obra, que paralisaram os concelhos. Albuquerque quer salvar o Funchal e todas as câmaras nas mãos da oposição e lembrou que o PSD não está morto, nem desmobilizado como “os velhos do Restelo” andam a anunciar desde que ganhou as eleições regionais em 2015.

Primeiro banho de multidão de Luís Montenegro

Só que o Chão da Lagoa é muito mais do que política e lá porque Jardim não é o rei da festa o arraial é mais ou menos o mesmo, com espetada e poncha, banda de música e rancho folclórico. Agora tudo misturado com muitas selfies, mas até a ordem da festa é a mesma e tudo começa pelas barracas das freguesias. Miguel Albuquerque fez de cicerone aos convidados Pedro Passos Coelho e Luís Montenegro, que terá tido a estreia nisto dos arraiais na Madeira. E tudo começou pelo Funchal a dar um abraço à candidata Rubina Leal, a beber uma poncha e comer chicharros fritos.

O que se seguiu foi aquilo a que se pode designar de ritual do Chão da Lagoa: a longa ronda a beber as bebidas típicas e os petiscos regionais. Assim depois dos chicharros fritos e da poncha, veio o vinho do Porto Santo, sidra e mais umas maçarocas e por aí a fora, que a visita demorou três horas. Nem o frio e o vento, que levantou o toldo do palco e fez o negócio correr de feição aos vendedores ambulantes (que despacharam roupa, casacos e cachecóis), abrandou o entusiasmo de Passos Coelho e Luís Montenegro, nem quem se aproximava para cumprimentar o doutor ou tirar a fotografia.

O passeio acabou em dança no último dos stands (na Ribeira Brava) com Luís Montenegro a dar uns passos de dança com a deputada Sara Madruga da Costa e Pedro Passos Coelho a fazer um cordão com os militantes, daqueles se fazem sempre nas festas. No palco, o líder nacional dos sociais-democratas prometeu voltar