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PSD indignado com Ferro por pressionar justiça no caso Galp

O deputado do PSD Carlos Abreu Amorim acusa o presidente da Assembleia de não ter respeitado separação de poderes ao criticar o Ministério Público por ter constituído arguidos três secretários de Estado

O PSD está indignado com o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, por ter pressionado a justiça no caso das viagens da Galp e ter quebrado o princípio de separação de poderes.

"Afinal de contas, para que serve uma segunda figura na hierarquia do Estado que revela uma tão grande falta de sentido do mesmo?", questiona-se o deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim, a propósito da entrevista que Ferro deu sábado à TSF em que diz ser "um absurdo" e "um mistério" que não compreende o facto de o Ministério Público ter constituído arguidos três secretários de Estado que aceitaram convites da Galp para assistir a jogos do Euro2016.

"Seria bom que a memória dos juizes, magistrados do MP, advogados, funcionários judiciais, polícias de investigação criminal e de todos os que tentam melhorar a Justiça portuguesa com o seu trabalho diário, retenham este tipo de exemplos - o número dois da hierarquia do Estado, abertamente, surgiu a criticar, a insinuar e a fazer processos de intenções políticas a magistrados na pior tradição de José Sócrates. Que nunca se esqueçam quem são aqueles que interferem, pressionam e ameaçam, e aqueles que, ao contrário, respeitam a separação de poderes", escreveu o deputado, considerando as declarações de Ferro um "desacerto institucional irremediável".

Também ontem o CDS, pela voz de Adolfo Mesquita Nunes, considerou que aquelas declarações constituem uma “quebra objetiva do princípio da separação de poderes”. “Era preferível que não se escudasse em opiniões pessoais expressas na entrevista”, afirma Mesquita Nunes.