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O crítico de Medina que aceitou dar a cara num cartaz

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Vítor Silva, da Associação de Moradores do Bairro Alto, foi um dos lisboetas que mais se insurgiu contra o ruído nos bairros históricos da cidade. Liderou essa luta e enviou mais de 80 emails e queixas para a CML. Hoje dá a cara pela campanha de Fernando Medina para as autárquicas. “Sou simpatizante e crítico no sentido positivo”, garante

Foi sob o slogan “Lisboa precisa de todos”, que Fernando Medina anunciou no dia 26 de junho a sua candidatura às eleições autárquicas. Pouco depois começaram a ser divulgados os primeiros outdoors, que assentam na ideia de união e partem de dois binómios: a inovação e a tradição; os residentes e os visitantes; o presente e o futuro e os apoiantes e os críticos.

“Não há cidades sem problemas para resolver, não há soluções novas sem diferentes pontos de vista. A cidade com que sonhamos precisa de equilíbrio, de discussão, de sinergias”, pode ler-se na página do Facebook do candidato socialista.

Esta ideia está também patente no último outdoor, onde Vítor Silva, vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto e um dos lisboetas que mais se insurgiu contra o ruído nos bairros históricos da cidade, dá a cara por Fernando Medina. Durante os últimos anos, liderou a luta contra os níveis de ruído, tendo enviado mais de 80 emails e queixas para a Câmara Municipal de Lisboa. “Sou simpatizante e crítico no sentido positivo”, afirma ao Expresso.

Quando foi contactado pela equipa de Medina, – diz que foi há pouco tempo, mas não sabe precisar quando – Vítor Silva confessa que não tinha noção do impacto que teria o outdoor, nem em que moldes seria feito. “Quando fui convidado nem sabia bem o que era. Mas acho que tem sentido, toda a gente me conhece em Lisboa devido à minha luta. Nasci no Bairro Alto e hei-de morrer aqui se tudo correr bem . Acho também importante colocar pessoas reais e não ficcionais como já aconteceu com outras campanhas de partidos. Esta é uma campanha viva”, explica.

Assumindo-se como independente, Vítor Silva defende que o que vale nas eleições autárquicas são as pessoas e não os partidos e é por isso que aceitou dar a cara pelo candidato do PS. “Não sou filiado em nenhum partido. Tenho alguma relação com pessoas da Câmara. Só isso. Quando houve a transição de Costa para Medina, não o conhecia de lado nenhum. Mas lembro-me de que um dia recebi um convite para participar num colóquio em Chelas, onde estaria presente, e achei o discurso dele interessante.”

O morador da Rua da Atalaia e vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto diz ainda acreditar que Medina voltará a rodear-se de pessoas competentes, o que lhe dá também confiança na liderança do autarca. “Penso que haverá mudanças na sua equipa. Há ainda algumas pessoas do tempo de António Costa, mas é importante regenerar equipas. Não quer dizer que sejam incompetentes, mas é vital surgir sangue novo”, frisa.

Próxima luta: invasão turística

No caso do ruído nos bairros históricos, Vítor Silva – que fez parte das listas dos “Juntos Fazemos Lisboa”, de António Costa, em 2013, na freguesia da Misericórdia – recorda que foi persistente à semelhança de outros habitantes e insiste que é necessário prosseguir com outras lutas no município. “De nada vale insultar. Interessa sobretudo unirmo-nos e lutarmos para chegarmos a bom porto. Todos temos essa capacidade. Os munícipes têm a hipótese de mudar qualquer coisa.”

Uma coisa é certa. Independentemente do resultado nas autárquicas, Vítor Silva sustenta que é preciso reivindicar os direitos dos moradores, prejudicados nesta altura pelo alojamento local. “Devemos começar outra luta, uma vez que estamos agora invadidos pelos turistas. Não é perseguição dos moradores, nem dos comerciantes. Mas tem que se conseguir viver em Lisboa.”