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António Costa prefere a Vodafone

Marcos Borga

"Por mim, já fiz a minha escolha da companhia que utilizo", tinha dito o primeiro-ministro no debate do estado da nação, a propósito das telecomunicações móveis

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O primeiro-ministro, António Costa, criticou a Altice no debate do estado da nação, em vésperas da empresa comprar a TVI, mas deixou também um desabafo que tem outro peso quando é dito por um primeiro-ministro: "Por mim, já fiz a minha escolha da companhia que utilizo".

António Costa estava a referir-se ao facto de, nos incêndios de Pedrógão, ter percebido que as comunicações da Vodafone não foram interrompidas como as da Meo (que pertence à PT/Altice), confirmou o Expresso junto do gabinete do primeiro-ministro. Aliás, no fim de semana do incêndio, um dos membros do gabinete do MAI deixou a um dos presidentes de câmara o seu telemóvel com rede Vodafone para que não estivesse isolado do mundo naquele cenário de terror. O Público acrescenta na edição deste sábado que o presidente da Vodafone ligou a António Costa a informar do restabelecimento da rede no domingo, dia 18, pela manhã, enquanto a PT/Meo esteve sem funcionar até domingo à tarde.

No debate do estado da nação, o primeiro-ministro disse ainda temer que a PT "acabe por transformar este caso num caso Cimpor, com um novo desmembramento que ponha não só em causa os postos de trabalho, como o futuro da empresa". Apelou ao regulador (Anacom) para que "olhe com atenção ao que aconteceu com as diferentes operadoras nestes incêndios de Pedrógão Grande" porque "houve algumas que conseguiram sempre manter as comunicações e houve outra que esteve muito tempo sem conseguir comunicações nenhumas - e isso é muito grave".

Todas as críticas de Costa chocaram Passos Coelho. “Nunca tinha ouvido um primeiro-ministro atirar-se assim publicamente a uma empresa. Acho que nem o engenheiro José Sócrates teve coragem de o fazer", comentou quinta-feira o líder do PSD.

Por outro lado, tanto o PCP como o BE estão preocupados com o futuro da PT e o risco de despedimento coletivo. Foi por isso que os comunistas levaram a debate a Altice no debate do estado da nação. E Catarina Martins acusou entretanto a empresa de "fraude" por "dobrar a lei" para despedir pessoas. Já no mês passado, também no Parlamento, Costa tinha dito que nunca autorizaria um despedimento coletivo na PT - isto porque para haver esse despedimento o Ministério do Trabalho teria que autorizar um pedido de reestruturação da empresa.