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Política

Passos Coelho sobre Governo: “Caiu a máscara do fim da austeridade”

Luís Barra

O "Governo-maravilha" disfarçou o "plano B" de continuidade da austeridade que teve de assumir para cumprir as metas económicas, declarou o líder social-democrata, perante a ovação de pé da bancada do PSD

"Neste Estado da Nação, caiu a máscara do fim da austeridade". A afirmação foi feita pelo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, na sua intervenção no debate do Estado da Nação, aproveitando para reclamar para o anterior Governo os méritos dos bons resultados económicos.

Depois de reconhecer que há boas notícias a ter em conta, o líder social-democrata fez questão de garantir: "Isso não nos diminui enquanto oposição. Corresponde a resultados para os quais contribuímos". Enfatizando que não houve "milagres" no início do mandato do Governo socialista - "ao contrário do que a maioria e o Governo querem fazer parecer, [os bons resultados] não começaram com a geringonça" - Pedro Passos Coelho defendeu que as boas notícias fazem parte de uma continuidade com as políticas que já eram seguidas pelo anterior Governo PSD e CDS.

"Não é milagre que depois de termos passado, entre 2010 e 2015, de um défice de 11% para 3%, este Governo tenha passado para 3% e 2% e o país tenha saído do procedimento por défice excessivo", defendeu Passos Coelho, assegurando que mesmo nos tempos da troika em Portugal mas medidas tomadas foram as necessárias: "O custo pior para o país era não ter cumprido".

Sobre a política de continuidade que defende ter sido a opção do atual Governo. o líder social-democrata enumerou cativações, medidas extraordinárias "umas em cima das outras" e um "travão a fundo no investimento público" para demonstrar que tudo se deveu a um "plano B" do Executivo: "Chegado a meio do ano, quando percebeu que a estratégia económica não tinha os resultados que esperava, o Governo mudou de orçamento e pôs em marcha um plano B que nunca assumiu e muitas vezes negou".

Para disfarçar este "plano B", Passos defendeu que o Executivo que apelidou de "Governo-maravilha" tem "persistentemente recorrido ao ataque ao passado para fugir às suas responsabilidades". "Está defunta a fantasia, enterrada a mistificação [do fim da austeridade]".

"Esperar sorte e melhores ventos não chega"

Passos Coelho aproveitou ainda para desferir ataques focando-se nas últimas más notícias para o Governo, da vaga de secretários de Estado que pediram exoneração este domingo ("o primeiro-ministro aceitou a demissão e percebe-se que afinal eles já sabiam [da constituição como arguidos no Galpgate]"), aos serviços técnicos que "não foram tidos nem achados" na retirada de três territórios da lista negra das offshores, ao parecer técnico sobre o SIRESP, que foi "pedido a quem assessorou o contrato inicial".

Em tempos difíceis, concluiu o líder do maior partido da oposição, "o estado falhou clamorosamente" e deixou "a geringonça" a ansiar por "tempos mais favoráveis". "Agora começa a sentir-se que precisamos de mais qualquer coisa, que ficar à espera de melhores ventos e sorte não chega", concluiu, com fortes aplausos da bancada social-democrata.