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Política

Luís Montenegro: "O Governo está a colapsar"

Luís Barra

O líder parlamentar do PSD acha que o Estado “está a ser atingido nos seus pilares fundamentais” - a segurança e as áreas sociais. Costa contrapõe: o que está a colapsar “é o sentido de Estado do PPD/PSD”

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, considera que António Costa chega a este debate do Estado da Nação com uma "liderança muito frágil" e com o Governo num "processo de degradação". "O Governo está a colapsar e perde autoridade todos os dias", acusou o líder parlamentar do PSD, no arranque do debate do Estado da Nação, esta quarta-feira, na Assembleia da República.

O país tem, acrescentou Montenegro, um primeiro-ministro "frágil por incapacidade, passividade e falta de liderança" e que chega a este debate "com a sua autoridade politica muito diminuída".

"O Estado está a ser ferido, atingido nos seus pilares fundamentais: a segurança, proteção e a defesa das pessoas e dos bens, e no pilar social, na saúde, educação e transportes", afirmou, considerando que o Estado "está a colapsar", antes ainda de criticar o Governo e as falhas do SIRESP na tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande.

Em resposta ao líder da bancada do PSD, António Costa afastou essa possibilidade. "O que aconteceu foi o colapso do sentido de Estado do PPD/PSD." E acrescentou ficar "surpreendido" que o líder da bancada parlamentar que propôs a comissão técnica independente de análise aos incêndios, "em vez de aguardar pelo resultado, tenha já tantas certezas que lhe permita condenar tudo".

António Costa disse ainda a Montenegro estar disponível para discutir o passado. "Sempre dei a cara pelas responsabilidades que assumi. E se um dia quiser discutir o que faço hoje como primeiro-ministro ou o que fiz há 12 anos como ministro da administração interna, aqui estou eu."

Costa aproveitou para lançar três números sobre as médias de área ardida no passado, para lembrar que hoje essa média "continua a menos de metade do que se assistia antes de eu assumir funções".

O assalto a Tancos não ficou de fora da intervenção do PSD. Montenegro acusou o Governo de "afetar a dignidade das Forças Armadas", perante a forma como gerido o assalto em Tancos. Chamando "bombeiro de serviço" a Augusto Santos Silva, o social-democrata lembrou que primeiro o Governo disse que o roubo "não afetava o país para depois dizer que tinha um custo reputacional".

"Quando se assume como assumiu a gravidade da situação, quando se exoneraram cinco comandantes e depois não se assume responsabilidade e se relativiza o assunto, não se está a garantir, está-se a afetar a dignidade das Forças Armadas", criticou Montenegro.

O social-democrata aproveitou também para criticar BE e PCP, pelo apoio parlamentar ao Governo, e defendendo que se "se pactuarem com o encerramento antecipado da comissão parlamentar de inquérito da Caixa Geral de Depósitos" estão a "prestar um mau serviço à República" e serão "corresponsáveis por um comportamento indigno".