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Costa responde a Cristas: “Obviamente, não demito nenhum ministro”

Luís Barra

“Vai ou não demitir a ministra da Administração Interna e o ministro da Defesa Nacional?”, perguntou Assunção Cristas ao primeiro-ministro. Se nada mudar, acrescentou a líder do CDS, “a responsabilidade passa a ser sua e só sua”

António Costa voltou a reiterar a sua posição, depois de ser questionado por Assunção Cristas, líder do CDS, sobre se tencionava ou não demitir a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, no decorrer dos incêndios em Pedrógão Grande e do assalto em Tancos. "Obviamente, não demito nenhum ministro", respondeu o primeiro-ministro, no debate do Estado da Nação, esta quarta-feira, no Parlamento.

"Se nada fizer, se mantiver tudo, então tudo o que acontecer daqui para a frente nestas áreas é assacado a si directamente. A responsabilidade passa a ser sua e só sua", concluiu Assunção Cristas, depois de lançar a Costa a pergunta sobre as demissões. "Tudo aquilo que qualquer um dos meus ministros fizer será sempre responsabilidade minha", respondeu o primeiro-ministro.

No arranque deste debate, na sua primeira intervenção, António Costa anunciou que amanhã, quinta-feira, vai apresentar os nomes dos novos secretários de Estado ao Presidente da República e que vai ser criada uma secretaria de Estado para a Habitação que até agora estava sob a tutela do Ministério do Ambiente, sob as ordens do secretário de Estado adjunto do Ambiente, José Mendes. Vai manter-se no Ambiente, que passa a ter quatro secretarias de Estado.

"Austeridade das esquerdas unidas"

Assunção Cristas considera que é a credibilidade do Estado que é "posta em causa e que se afunda" em casos como o roubo das armas em Tancos. Sobre o facto de só recentemente ter sido dito que, afinal, o material roubado "era tudo sucata", Cristas questiona Costa sobre se já sabia "e foi ainda mais ligeiro do que podíamos imaginar porque deixou que as maiores dúvidas se instalassem" ou se não sabia. "Garante-nos que as armas não podem ir parar a redes de criminalidade organizada?", questionou.

Sobre os incêndios, Cristas considera ter havido "uma falha gravíssima" na proteção dos cidadãos. "O que vimos? Total descoordenação e um Governo inapto para lidar com a crise."

Outro dos temas de crítica do CDS ao Governo foram as cativações. "Foi o ano da austeridade das esquerdas unidas", concluiu Cristas. "O Governo não assume com transparência esses cortes porque é incompatível com o discurso oficial do Governo." Assunção Cristas reforçou o pedido que o CDS tem feito, para saber "onde e como" está o Governo "a cortar".

Em resposta ao CDS, António Costa considera que as cativações "não têm nada de falta de transparência". E acrescentou que em nenhum dos exemplos que Cristas deu há cativações - como a lei de programação militar, o investimento público, as escolas ou o serviço nacional de saúde. "Cada um dos seus exemplos é tão bom que nenhum deles é objeto de cativações."

[texto atualizado às 16h22]