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Costa reitera confiança política no ministro da Defesa

Marcos Borga

O primeiro-ministro manifestou também “total solidariedade” com o chefe de Estado Maior do Exército na sequência do assalto em Tancos

O primeiro-ministro manifestou esta terça-feira toda a confiança política no ministro da Defesa e "total solidariedade" com o chefe de Estado Maior do Exército (CEME) na sequência do roubo de material militar nas instalações de Tancos.

António Costa falava aos jornalistas em São Bento no final de uma reunião de duas horas e 20 minutos sobre segurança em instalações militares com o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (Artur Pina Monteiro), com os chefes dos três ramos militares, Exército (Rovisco Duarte), Armada (Silva Ribeiro) e Força Aérea (Manuel Teixeira Rolo), e com o ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Uma reunião que aconteceu depois de a 29 de junho o Exército ter anunciado que foram furtados dos Paióis Nacionais de Tancos, concelho de Vila Nova da Barquinha, granadas de mão, granadas anticarro e explosivos.

Interrogado se mantém a confiança política no seu ministro da Defesa, António Costa respondeu que "tem toda a confiança do primeiro-ministro para o exercício das suas funções".

"[Azeredo Lopes] exerceu as suas funções como é função do senhor ministro da Defesa", disse, referindo-se depois ao Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Rovisco Duarte.
"Agradeço a hombridade com que as Forças Armadas, e em particular o CEME, assumiram as responsabilidades relativamente a esta matéria. Quero manifestar a total solidariedade com o CEME e a forma como tem exercido o seu comando e o continuará a exercer", acentuou o primeiro-ministro.

Perante os jornalistas, o primeiro-ministro elogiou também o papel das Forças Armadas no combate aos incêndios florestais e no apoio às populações atingidas.

"Os portugueses devem respeitar e admirar as suas Forças Armadas.

Costa afirmou ainda que os chefes dos ramos das Forças Armadas deram garantias ao Governo de que foram tomadas as medidas que asseguram ao país a segurança das instalações e a plena operacionalidade das forças militares.

"O Governo fica tranquilo quando o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas [general Artur Pina Monteiro] e os chefes dos três ramos [Exército, Armada e Força Aérea] asseguraram ao país a segurança das instalações militares", declarou António Costa aos jornalistas em São Bento.

Depois da garantia recebida por parte dos responsáveis máximos dos diferentes ramos militares, o líder do executivo disse que o Governo, por sua vez, "assegura a confiança em toda a cadeia de comando das Forças Armadas".

"Estamos certos de que, na sequência deste facto grave que ocorreu, foram tiradas as lições e adotadas as medidas que permitirão reforçar a segurança e garantir a plena operacionalidade das Forças Armadas", sustentou o primeiro-ministro.

Questionado se a reunião com as chefias militares das Forças Armadas não terá ocorrido já tarde demais, o líder do executivo rejeitou essa ideia.

De acordo com António Costa, logo a seguir ao roubo nas instalações militares de Tancos (detetado em 29 de junho passado) "foram acionados os mecanismos próprios da segurança interna, designadamente a reunião da Unidade de Coordenação Antiterrorista (que contou com a presença o CEGMFA), durante a qual se fez uma primeira avaliação".

"Verificou-se então que, com grande probabilidade, este acontecimento não teria qualquer impacto no risco da segurança interna, designadamente associação a qualquer risco de atividade terrorista nacional ou internacional. Essa garantia, aliás, foi-me diretamente transmitida pela secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, procuradora Helena Fazenda", respondeu António Costa, procurando assim circunscrever o alcance relativamente às consequências resultantes do roubo de Tancos.

Ainda segundo António Costa, ao longo desta semana "foi possível não só fazer uma avaliação mais pormenorizada sobre o material desaparecido em Tancos, mas também uma análise sobre qual a natureza desse mesmo material e qual o seu valor".

"Fez-se um exercício por parte dos diferentes ramos das Forças Armadas do levantamento no que respeita às vulnerabilidades existentes no conjunto das instalações militares. Tendo sido identificado o que era necessário identificar, foram [então] tomadas as medidas que permitem hoje aos chefes militares assegurarem ao país a segurança do conjunto das instalações militares", reforçou o primeiro-ministro.

A Procuradoria-Geral da República anunciou na semana passada que abriu um inquérito ao caso do furto de Tancos, por suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.

No Exército decorrem averiguações internas e o ministro da Defesa Nacional, que afirmou desconhecer problemas de insegurança naquela base militar, determinou uma inspeção extraordinária às condições de segurança dos paióis.

Na sequência deste caso, o Presidente da República exigiu o apuramento total dos factos ocorridos e o CDS-PP pediu a demissão do ministro Azeredo Lopes.