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“Porquê hoje?”, “O que é que se alterou?” e “O que é que aconteceu?” - As perguntas do PSD

Luís Barra

Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD, manifestou a “enorme estranheza” do partido pelo momento político em que ocorreram as exonerações dos três secretários de Estado

O deputado do PSD Carlos Abreu Amorim manifestou a “enorme estranheza” do partido pelo momento político em que ocorreram hoje as exonerações de três secretários de Estado, questionando o Governo sobre “o que está na sua origem”.

“O PSD queria manifestar antes de mais a sua enorme estranheza pelo momento político em que estas demissões destes três secretários de Estado são conhecidas. De facto, nós não compreendemos o que é que se alterou desde há um ano a esta parte”, começou por dizer o deputado.

Numa reação à notícia da aceitação pelo primeiro-ministro da exoneração de três secretários de Estado, o social-democrata assinalou que, para o partido, “as as razões éticas, morais e políticas que existiam há um ano para a eventual demissão dos governantes que estavam envolvidos nas viagens ao Euro pagas pela Galp mantêm-se exatamente da mesma forma hoje”.

“Portanto, não se compreende porque é que se escolheu o momento do dia de hoje para estas demissões e porque é que essas demissões, ou uma atitude mais drástica não foi tomada há um ano. Não sabemos se foi algum 'focus group' ou alguma técnica de 'marketing' política que aconselhou que fosse este exatamente o momento”, assinalou. Por esse motivo, disse que “agora é a vez de o PSD fazer perguntas”, questionando: “O que é que se alterou? O que é que aconteceu?”.

“Se há razões que têm a ver com uma eventual investigação judicial, elas têm que ser ditas preto no branco, têm que ser esclarecidas. Se há razões de ordem política ou de ordem ética que fazem com que neste momento esta situação seja tão grave que se fala na demissão destes três secretários de Estado, e já há órgãos de comunicação a falar até na demissão de outros governantes, o PSD julga que o país tem o direito a saber porquê”, sublinhou.

Para Carlos Abreu Amorim, “se estas questões não forem devidamente resolvidas e esclarecidas, são demissões que só vão provocar mais inquietação, mais angústia, mais dúvidas, em vez de esclarecer, que era exatamente isso que deveria estar a ser feito”.

“Porquê agora? O que é que leva a que neste momento, com o país a viver a situação em que está, o que é que leva a que estas demissões possam acontecer e (...) eventualmente outras demissões possam acontecer também? Nós queremos saber aquilo que se passa”, frisou.

O primeiro-ministro aceitou hoje os pedidos de exoneração dos secretários de Estado da Internacionalização, dos Assuntos Fiscais e da Indústria, “apesar de não ter sido deduzida pelo Ministério Público qualquer acusação”. Esta posição de António Costa consta de uma nota oficial enviada pelo seu gabinete à agência Lusa.

Os secretários de Estado da Internacionalização, dos Assuntos Fiscais e da Indústria pediram hoje a exoneração de funções, após terem solicitado ao Ministério Público a sua constituição como arguidos no inquérito relativo às viagens para assistir a jogos do Euro2016.

“Os signatários solicitaram ao primeiro-ministro a exoneração das funções que desempenham”, afirmam, em comunicado conjunto enviado à Lusa, o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira; o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, e o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos. A decisão é justificada com a intenção de não prejudicar o Governo.