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Organizador do protesto dos oficiais explica que desconvocou ação a pedido dos generais que se demitiram

Tinoco de Faria, um dos promotores da manifestação que visava depor espadas no Palácio de Belém, revela que protesto foi desconvocado a pedido dos generais Calçada e Menezes. Os mesmos que se demitiram este fim de semana, contra Rovisco Duarte

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

“Às vezes é preciso desobedecer” - a frase, pronunciada por Salgueiro Maia na madrugada da revolução de 25 de Abril, antes da marcha de Santarém para Lisboa, é a nova imagem de capa da conta de Facebook do tenente-coronel Pedro Tinoco de Faria, um dos promotores, no início da semana passada, do protesto dos oficiais do Exército que tinha como objetivo a deposição de espadas à porta do Palácio de Belém, residência do Presidente da República, comandante supremo das Forças Armadas.

A manifestação, convocada por e-mail à margem das organizações representativas dos militares do Exército, acabou por ser desconvocada na terça-feira da semana passada, menos de 24 horas antes do evento. Tinoco de Faria explicou este domingo o que o levou a cancelar um protesto que ameaçava fazer história.

“Foi-me pedido pelos dois generais agora demitidos que não realizasse a marcha de consciência da entrega simbólica das espadas, aos quais eu respondi com o dever de obediência e cancelei de imediato”, escreveu o tenente-coronel na sua página de Facebook, ao mesmo tempo que colocou a frase e a foto de Salgueiro Maia a encimar a sua conta na rede social.

Os dois generais referidos no post são José Calçada, até agora comandante de Pessoal do Exército, e Faria Menezes, comandante operacional das Forças Terrestres. Conforme o Expresso noticiou, ambos se demitiram em ruptura com o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEME), Rovisco Duarte, depois da forma como este exonerou sumariamente cinco comandantes de Tancos, em resposta ao roubo de armamento de guerra nos paióis nacionais.

No mesmo post, o oficial dos Comandos explica que a deposição de espadas tinha como objetivo demonstrar “a revolta contra as exonerações dos coronéis e contra a instauração de processos crime contra oficiais e sargentos dos comandos, humilhados em praça pública em processo sumário e apelidado de sádicos por uma procuradora do regime”.

Tal como o Expresso escreveu na sua edição em papel, este sábado, o mal-estar entre o Exército e o CEME já vinha desde o processo da morte de dois alunos do curso de comandos, e atingiu níveis de ruptura com o caso de Tancos e a exoneração de cinco comandantes sem qualquer “due deligence”.

Tinoco de Faria começa o seu post com uma declaração de princípio: “A espada é o sentido do dever e da honra, e quando a honra e o dever se confrontam, é preciso desobedecer.”

O oficial na reserva, que segunda-feira à noite estará na SIC, assume que, “como cidadão”, tem o “direito” de “se uma voz daqueles que estão em silêncio a cumprir o seu dever e com o perigo de perderem a honra.

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