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Marques Mendes: Estado “falhou” em Tancos e Pedrógão

Houve “descoordenação”, “incapacidade” e “impunidade” do Estado nos dois casos, disse Luís Marques Mendes, que considera que, “com os dados que hoje se conhecem, já devia ter rolado uma cabeça - a da ministra da Administração Interna”

Tantos em Tancos como em Pedrógão o Estado “falhou”. Esta é a convicção de Luís Marques Mendes, que considera que houve “descoordenação”, “incapacidade” e “impunidade” nas duas situações.

Marques Mendes, que falava no seu espaço de comentário habitual na SIC, sublinhou que, com a informação hoje disponível, já devia ter “rolado uma cabeça - a da ministra da Administração Interna”. No caso de Tancos, o Chefe de Estado Maior do Exército [CEME] “já devia ter pedido a sua demissão ou ter posto o lugar à disposição”.

Na opinião do ex-líder do PSD, aquele dirigente militar “errou porque criou bodes expiatórios subalternos” e “ilibou de responsabilidades quem tutela o poder político nesta área”. “Até parece que havia uma combinação entre o CEME e o Ministro da Defesa, em que um iliba o outro”.

Para Marques Mendes, houve aqui, claramente, “um vazio de gestão política que acabou por ser preenchido pelo Presidente da República, que não só desempenhou o seu papel como o do Governo”. É também “óbvio” para o comentador que “o primeiro-ministro deveria ter adiado as férias”. “Costa não percebeu que um primeiro-ministro se afirma nos momentos difíceis”.

O comentador acusou ainda os socialistas de, em geral, “não terem sensibilidade para as questões de Estado”. “Quando há problemas, pensam em resolver tudo com políticas de comunicação, ou seja, entrevistas. Só que isso nem sempre é eficaz. Costa não evidencia capacidade de decisão”.

“O estado de graça acabou”, sentenciou ainda Marques Mendes. “O que não quer dizer”, sublinhou, “que [este estado] não possa voltar ou que o Governo vá cair”. A verdade, porém, “é que Governo e primeiro-ministro pagam um preço por tudo isto: desgaste a prazo”.

Sobre o facto de o PS continuar a subir nas sondagens (já depois dos casos de Pedrógão e Tancos), o comentador disse que isso está a acontecer porque os portugueses “não dão muita importância às questões de Estado, mas mais às questões económicas”. Por outro lado, isso também pode resultar do facto de a oposição “não dar garantia de nada”.